Vera Lúcia, candidata do PSTU ao governo de São Paulo, segue aparecendo em terceiro lugar nas pesquisas, mas sofre um forte boicote da grande mídia. As regras atuais de financiamento e acesso à propaganda eleitoral, somadas aos critérios adotados por parte da imprensa para entrevistas e debates, reduzem a visibilidade de candidaturas com menor estrutura partidária.
Para Vera, essa discussão vai além dos interesses de um partido específico e envolve o direito da população de conhecer diferentes projetos políticos.
“A questão não é apenas o PSTU. O problema é que milhões de pessoas acabam tendo acesso apenas às candidaturas que já possuem mais recursos, mais tempo de exposição e mais espaço nos grandes veículos. Isso não é democrático, pois a população não pode ouvir todas as propostas e decidir livremente”, afirma.
Ao longo da campanha, pesquisas eleitorais têm colocado Vera entre os nomes mais lembrados pelos eleitores, fora da polarização principal da disputa paulista. Mesmo assim, sua participação em entrevistas, sabatinas e espaços de debate tem sido menor do que a destinada aos candidatos que lideram as pesquisas.
O papel da imprensa
É importante abrir uma discussão sobre os critérios utilizados por veículos de comunicação para organizar debates, entrevistas e coberturas eleitorais. Embora a imprensa tenha autonomia editorial para definir sua programação, tem o dever de ampliar a pluralidade de vozes presentes na cobertura das eleições.
As empresas de comunicação costumam justificar seus critérios com base em fatores como relevância eleitoral, representação institucional, interesse público e limitações de tempo e formato. Critérios usados quando é conveniente a elas. Nesse caso, usam para silenciar uma candidatura socialista e revolucionária.
Esse deve ser conectado a uma discussão mais ampla sobre o funcionamento da dita democracia brasileira e os mecanismos que regulam a disputa eleitoral: “A democracia não se resume ao direito de votar. Ela também envolve o direito de conhecer as diferentes alternativas que disputam os rumos do país e do Estado. Por isso, o PSTU é parte campanha que surgiu na internet ‘Queremos a esquerda nos debates’. Essa luta é urgente e necessária”, ressalta Vera.
A discussão sobre financiamento eleitoral, propaganda política, acesso aos meios de comunicação e pluralidade de vozes são temas presentes na campanha de 2026, envolvendo não apenas o PSTU, mas também outras legendas de menor porte que buscam ampliar sua participação no debate público.
Pará
Campanha do PSTU inicia com caminhada na Terra Firme, bairro periférico de Belém

A campanha do PSTU no Pará começou nas ruas. No dia 16 de agosto, a candidata ao governo do estado, Well Macêdo, e o candidato a vice-governador, Seu Aléx, junto com a militância do partido e apoiadores, realizaram uma caminhada no bairro da Terra Firme, em Belém, um dos mais populosos e periféricos da capital paraense.
Sob o lema “Com a classe trabalhadora e os povos da Amazônia, contra o sistema”, a atividade percorreu a feira e diversas ruas do bairro, dialogando com moradores sobre problemas históricos enfrentados pela população, como falta de saneamento básico, alagamentos, calor extremo e precariedade da infraestrutura urbana.
Durante a caminhada, Well destacou que a realidade da Terra Firme expressa a situação vivida por milhões de trabalhadores em todo o Pará. O estado segue entre os piores do país em saneamento básico, apesar da enorme riqueza produzida por seus recursos naturais: “Não é falta de dinheiro. É uma escolha política que beneficia grandes empresários enquanto abandona a maioria da população”.
A candidata defendeu a reestatização da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), com gestão pública e controle dos trabalhadores e da população, além de um amplo plano de investimentos em saneamento para universalizar o acesso à água tratada e à coleta de esgoto.
Well também relacionou a crise do saneamento aos efeitos das mudanças climáticas. Os bairros periféricos, onde vive a maioria da população trabalhadora, negra e pobre, são os mais atingidos pelas altas temperaturas, pela falta de arborização e pelos alagamentos.
Como alternativa, o PSTU propõe um plano de obras públicas voltado à drenagem urbana, saneamento, arborização e recuperação ambiental das cidades, além da construção de moradias populares adaptadas à realidade amazônica.
A caminhada marcou o primeiro ato público da campanha de Well Macêdo e Seu Aléx, que seguirão percorrendo bairros populares, locais de trabalho e municípios do interior do estado.