Opinião

Você entende o que Karl Marx quis dizer com “a religião é o ópio do povo”?

Adriano Espíndola, de Uberaba (MG)

12 de fevereiro de 2024
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Algumas pessoas têm questionado meus poemas de inspiração religiosa, apesar de eu não seguir nenhuma fé específica. Recentemente, meus versos homenagearam figuras do candomblé como Olooke e Oxóssie, assim como o santo católico São Francisco de Assis, o que gerou tanto curiosidade quanto críticas. Para alguns, parece que negligenciei a famosa máxima de Marx: “a religião é o ópio do povo”.

No entanto, é crucial reconhecer que Marx, por mais influente que seja, não é infalível. Além disso, sua célebre observação sobre a religião não deve ser tomada como um dogma, mas sim entendida dentro de um contexto mais amplo no qual ela foi feita, um contexto que convida à reflexão profunda. Marx realmente disse:

“A miséria religiosa é, ao mesmo tempo, a expressão da miséria real e o protesto contra essa miséria. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como o espírito de uma condição espiritualmente desumana. Ela é o ópio do povo” (Marx, Karl. “Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”, 1844).

Para compreender essa afirmação: Considere viver em uma sociedade onde a adversidade é uma constante: o trabalho árduo raramente se traduz em uma vida digna, deixando as pessoas desoladas, exaustas e, frequentemente, sem esperança. A religião, neste cenário, atua como um consolo para essas aflições, semelhante a um curativo para o coração.

A “miséria religiosa” mencionada por Marx reflete a dor real da sociedade, sinalizando que a busca por conforto espiritual é um indicativo de problemas sociais profundos, como a pobreza ou a injustiça.

Por outro lado, a religião também pode ser vista como uma forma de protesto silencioso, uma maneira de expressar descontentamento com as estruturas sociais, mesmo que de forma não explícita. Para aqueles que enfrentam as duras realidades da vida, a fé proporciona um fragmento de esperança e conforto em um mundo que muitas vezes parece indiferente.

Quando Marx equipara a religião a um “ópio”, ele sugere que, embora ofereça alívio temporário, não aborda as causas fundamentais da aflição social. Portanto, é essencial não apenas buscar consolo na fé, mas também questionar e enfrentar as condições sociais que impõem tais adversidades.

Convido todos a refletir sobre essas questões críticas.