Congresso da CSP-Conlutas

6º Congresso da CSP-Conlutas discute situação nacional e mundial e aponta plano de lutas

Debatedores colocaram a necessidade combater o imperialismo, o governo e a extrema direita, colocando a pauta dos trabalhadores no centro da atuação da central

Redação

19 de abril de 2026
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Mesa de conjuntura nacional, internacional e plano de lutas | Foto: Phill Natal

A manhã deste segundo dia de congresso (19/4) foi dedicada ao debate sobre a situação mundial e nacional, além de um plano de lutas que a central deve apontar para o próximo período. A ofensiva militar imperialista de Trump, a heroica resistência dos povos oprimidos, além dos ataques que a classe trabalhadora e os setores mais explorados e oprimidos, aqui no Brasil, foram destaques no debate.

“Trump é a cara feia do imperialismo, e quer aumentar e aprofundar a subserviência dos povos”, destacou Marcelo Azevedo, do Movimento Mulheres em Luta (MML). Marcela denunciou ainda a onda de feminicídio e de ódio às mulheres que ocorre no Brasil e no mundo, a repressão policial, e a postura do governo Lula de “negociar os nossos direitos”.

“A gente sai desse congresso com a tarefa de ser oposição de esquerda ao governo Lula, e ao mesmo tempo enfrentar a extrema direita, dizendo em alto e bom som: Não à anistia para golpista”, reafirmou. “Queremos sair com um programa de luta pela vida das mulheres e dos setores oprimidos, um programa contra a Escala 6×1, pela redução das jornadas, e mostrando que essas lutas expõem os limites do sistema capitalista”, apontou.

A dirigente do Luta Popular, Irene Maestro, fez uma contundente crítica ao imperialismo, relacionando com as políticas de ataques e repressão contra os trabalhadores e, sobretudo, o povo mais oprimido. Citando o recente caso de uma prisão arbitrária de uma moradora da Favela do Moinho, na capital paulista, Irene relatou que, justo num momento da mais necessária solidariedade, a esquerda institucional negou-se a se colocar ao lado dos moradores. “Toda a esquerda, todos os parlamentares, simplesmente sumiram, quem permaneceu lá foram as entidades ligadas à CSP-Conlutas”, relembrou.

“Diziam que se colocassem a favor da companheira presa estaríamos fortalecendo a extrema direita, mas o que fortalece a extrema direita é justamente legitimar esse discurso contra o povo pobre”, reafirmou. Irene citou ainda o protagonismo das mulheres nas lutas: “A cada chacina, a cada despejo, temos mulheres, que apesar de tudo, juntam os cacos reerguendo as comunidades, e temos as mulheres faveladas, pretas e pobres resistindo e inspirando essa central operária e popular”, finalizou seu discurso sendo intensamente aplaudida.

Alex Fernandes, da corrente Unidos Pra Lutar, colocou a necessidade de se enfrentar o governo de “frente amplíssima”, mas “não só nas eleições, mas, sobretudo, nas ruas, nas greves e nas lutas”. O representante do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo), uma das categorias em greve, Bruno Gilga, da corrente “Nossa Classe”, pontuou, por sua vez, que “a tarefa que hierarquiza as nossas tarefas é a luta contra o imperialismo”. Tarefa que, como afirmou Lorena Fernandes, da CST, não pode ser cumprida pelo governo Lula que, “ao contrário, tenta uma conciliação com o imperialismo”, e que é “papel dessa central encabeçar essa luta, inclusive exigindo que Lula pare de enviar petróleo a Israel, e mande esse petróleo a nossos irmãos de Cuba”, referindo-se ao bloqueio imperialista imposto à ilha.

Assista na íntegra

Independência de classe

O dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Atnágoras Lopes, condensou as tarefas e necessidades da central para o próximo período. Reafirmando que, com todas as diferenças políticas que possa haver entre os setores neste congresso, a estratégia socialista e o método da democracia operária permite a aproximação e a definição do “desembocar” do congresso.

Resgatando o princípio do internacionalismo proletário, Atnágoras defendeu que “nossa tarefa é seguir com independência de classe ao lado do povo palestino, sem titubear, ao lado do povo ucraniano, sem titubear, ao lado do povo iraniano, sem titubear, e sem defender os seus governos”.

Atnágoras defendeu que a luta pela redução da jornada de trabalho deve estar no centro do próximo 1º de maio. “A pauta do governo Lula agora é a jornada, quer dizer, depois de 18 anos de governo do PT, e não porque quer, mas porque a juventude e os trabalhadores pressionaram, e encontraram na CSP-Conlutas um ponto de apoio”, afirmou.

O dirigente defendeu ainda a necessidade de se manter o caráter de independência de classe da central “contra o governo e a extrema direita nefasta, porque se Lula faz o que faz porque está com o capital, a extrema direita quer piorar ainda mais”. Em relação às eleições, Atnágoras propôs que a postura da central seja liberar a base para votar nas candidaturas que não se aliem ao bloco governista nem ao da extrema direita, defendendo o programa da CSP-Conlutas.

Ato contra o feminicídio

No início da manhã, o plenário do congresso foi tomado por um ato que, ao mesmo tempo, emocionou e mostrou indignação, denunciando a violência machista e o feminicídio. Com fotos de mulheres vítimas de feminicídio, cujos nomes foram lembrados, as mulheres tomaram o palco do plenário com faixas e cartazes. “Não quero flor, quero viver, feminicídio vou lutar para combater”, entoou as mulheres ao final do protesto.

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