Congresso da CSP-Conlutas

Povos em luta ocupam plenário e reafirmam resistência nos territórios

Roberto Aguiar, da redação

19 de abril de 2026
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Povos indígenas, trabalhadores do campo e da moradia erguem ato de resistência no 6º Congresso Nacional da CSP-Conlutas | Foto: Phill Natal

“A luta do nosso povo é pelos rios, pela vida.” A afirmação de Alessandra Korap Munduruku marcou a abertura de um dos momentos mais simbólicos do primeiro dia do 6º Congresso Nacional da CSP-Conlutas, realizado em 18 de abril, no Clube Guapira, em São Paulo. O encontro segue até o dia 21 e acontece no marco dos 20 anos de luta da Central, construída com independência de classe e internacionalismo.

À frente de uma coluna de ativistas, Alessandra conduziu a entrada no plenário ao som de maracás e cantorias dos povos que resistem nos territórios originários, tradicionais, nas florestas, no campo e nas cidades. O ato ecoou como um chamado à luta coletiva, sintetizado no grito que tomou o espaço: “Pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem não pode com a formiga, não atiça o formigueiro”.

Protagonista na mobilização dos povos do baixo Tapajós contra o Decreto 12.600/2025 do governo Lula, que privatizava os rios Tapajós, Madeira e Tocantins e favorecia a dragagem predatória pela multinacional Cargill. Alessandra reafirmou o sentido mais profundo da resistência indígena: a defesa dos rios como defesa da própria vida.

A força do ato também foi expressa por outras lideranças. Raquel Tremembé, do Povo Tremembé do Maranhão, militante do PSTU e integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, destacou o papel estratégico da Central: “Uma Central que apoia a luta dos povos originários na defesa dos territórios e a unidade de todos os setores da classe trabalhadora e oprimidos”.

Na sequência, Vanessa Mendonça trouxe à tona a realidade urbana, denunciando a crise habitacional e a violência do Estado. “Hoje em dia, há milhares de pessoas ameaçadas de despejo, enquanto existem muitas casas vazias e pessoas sem casa”, afirmou. Vanessa também criticou a repressão do governo Tarcísio na desocupação da favela do Moinho, no centro de São Paulo, marcada por prisões, bombas de gás, tiros e violência contra a população pobre.

Com a presença de trabalhadores assentados do interior paulista, como os de Capão das Antas, além de militantes do MNL (Movimento Nacional de Luta no Campo e na Cidade) e outros movimentos, o ato reafirmou a centralidade da luta no campo e na cidade como parte de um mesmo processo de resistência.

Encerrando o momento, Atnágoras Lopes, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, ressaltou o caráter sindical e popular da Central. Segundo ele, é essa combinação que fortalece a atuação nas mobilizações em defesa dos trabalhadores, dos povos originários e tradicionais, como parte essencial da luta de classes no Brasil.

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