Lutas

As lutas atuais e a necessidade de avançar

Phill Natal

17 de abril de 2026
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Apesar de o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmar que a vida do brasileiro está melhorando e que a economia voltou a crescer, a realidade concreta aponta para outra direção. O custo de vida segue elevado, as compras de supermercado diminuíram e o endividamento das famílias já atinge 80,4% segundo a Confederação Nacional do Comércio.

Esse cenário escancara os limites da política de conciliação de classes: ela não garante avanços reais para os trabalhadores e ainda dificulta o enfrentamento consequente à extrema direita, que busca se fortalecer sobre o descontentamento social.

Não por acaso, figuras como Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem em crescimento nas pesquisas. O discurso reacionário encontra eco justamente entre setores que sentem, no cotidiano, a frustração de não ver a vida melhorar.

A classe trabalhadora em movimento

Ainda que o país não viva um ascenso generalizado de lutas, importantes enfrentamentos seguem ocorrendo. Greves como as de petroleiros, trabalhadores dos Correios e da Avibras, esta última com uma vitória significativa, demonstram que a classe trabalhadora segue ativa.

As manifestações pelo fim da escala 6×1 continuam ocupando as ruas e expressam uma insatisfação profunda com as condições de trabalho. Mulheres têm protagonizado mobilizações contra a violência machista, enquanto os povos indígenas seguem na linha de frente da defesa de seus territórios e do meio ambiente. Ao mesmo tempo, crescem os protestos contra o imperialismo e em solidariedade aos povos palestino e ucraniano.

Essas lutas desmontam a narrativa da esquerda da ordem de que não há disposição para o enfrentamento. A classe trabalhadora se mobiliza, e essas mobilizações revelam a necessidade de enfrentar um mesmo sistema: o capitalismo imperialista, responsável por explorar a maioria para garantir os lucros de uma minoria.

A centralidade da classe operária

As greves operárias reforçam o papel estratégico da classe trabalhadora, em especial nos setores produtivos. Por sua posição na produção e circulação das riquezas, a classe operária tem a capacidade de paralisar a sociedade e atingir diretamente os interesses da burguesia. Sem sua entrada em cena, muitas mobilizações permanecem importantes, porém limitadas.

A luta contra a escala 6×1 expressa essa contradição. Trata-se de uma pauta que mobiliza milhões, mas que, sem a força das ruas e a paralisação da produção, tende a ser absorvida pelo parlamento. Em um Congresso reacionário, inimigo do povo, isso significa o risco concreto de retrocesso.

A força dos povos originários e das mulheres

Os povos indígenas têm protagonizado lutas fundamentais em defesa de seus territórios e do meio ambiente, enfrentando governos e interesses econômicos. Suas mobilizações, como as realizadas no Pará e na COP30, mostram a importância da resistência organizada.

Da mesma forma, o Levante Mulheres Vivas expressou a indignação diante da violência e do feminicídio. Milhares foram às ruas afirmar que não aceitarão mais essa realidade.

Essas experiências apontam um elemento central: quando a luta é coletiva, com independência de classe e confiança na própria força, abre-se um caminho real de enfrentamento.

Solidariedade internacional e tarefa política

O cenário internacional também é marcado pela intensificação dos conflitos. Os ataques de Israel ao povo palestino, as ações de Donald Trump contra países como Irã e Venezuela e a guerra conduzida por Vladimir Putin na Ucrânia revelam a lógica violenta do imperialismo.

Diante disso, cresce a solidariedade internacional e a defesa da autodeterminação dos povos, também expressa nas mobilizações da classe trabalhadora em diversos países.

O PSTU se coloca ao lado dessas lutas, defendendo a independência de classe. O desafio central é transformar essas mobilizações em uma força consciente, organizada e unificada.

Mais do que nunca, é necessário enfrentar tanto as capitulações do reformismo quanto o projeto reacionário da extrema direita. Ir à raiz dos problemas e fortalecer a luta por uma sociedade socialista é a tarefa colocada.

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