Enquanto os candidatos da extrema direita, do centrão e da esquerda do sistema concentram suas campanhas na disputa por espaço na mídia, no marketing eleitoral e nas alianças com empresários, a campanha de Hertz Dias e Vanessa Portugal segue outro caminho. O PSTU tem levado seu programa direto aos locais de trabalho, às portas das fábricas, aos sindicatos, às ocupações, às escolas e universidades e às periferias, apoiando-se em uma concepção histórica do marxismo: a de que a classe trabalhadora é o sujeito social capaz de transformar a sociedade.
Não se trata apenas de uma escolha eleitoral. É uma concepção política construída por Marx, desenvolvida por Lênin, aprofundada por Trotsky e retomada por Nahuel Moreno. Para essa tradição, são os trabalhadores que produzem toda a riqueza da sociedade e, justamente por ocuparem essa posição, podem liderar a luta contra o capitalismo e pela construção do socialismo.
Por isso, a campanha do PSTU está diretamente ligada ao trabalho que o partido desenvolve há décadas junto à classe operária brasileira.
Chão da fábrica, das minas e das obras
No Vale do Paraíba paulista, Hertz Dias esteve ao lado dos metalúrgicos de São José dos Campos e Jacareí, onde o partido possui forte inserção sindical. Ali, uma das principais bandeiras defendidas foi a estatização da Avibras, histórica empresa do setor de defesa ameaçada pela crise provocada pela gestão privada.
A luta pela Avibras se tornou uma referência nacional. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, dirigido pela CSP-Conlutas e por militantes do PSTU, esteve à frente da resistência dos trabalhadores contra o fechamento da fábrica e a destruição de empregos. Para o partido, a defesa da estatização da empresa demonstra, na prática, que setores estratégicos da economia não podem ficar subordinados à lógica do lucro privado.
A campanha também esteve presente no ABC Paulista, berço histórico do movimento operário brasileiro, dialogando com trabalhadores da indústria, estudantes e moradores da periferia.
Em Minas Gerais, Hertz realizou atividades em cidades como Congonhas, São João del-Rei e Juiz de Fora, debatendo com mineiros, metalúrgicos e servidores públicos. Em Congonhas, a defesa da reestatização da Vale e da CSN esteve diretamente ligada à realidade dos trabalhadores da mineração e à denúncia dos crimes ambientais e sociais produzidos pelas grandes mineradoras.
O trabalho do PSTU junto à classe operária também se expressa entre os petroleiros. Ao longo da campanha, Hertz esteve em atividades com trabalhadores do setor no Rio de Janeiro, no litoral paulista, no Nordeste e na região Norte, defendendo uma Petrobras 100% estatal e sob controle dos trabalhadores como parte de um projeto de soberania nacional e reindustrialização do país.
No norte do Brasil, a campanha se conecta à luta dos operários da construção civil de Belém, categoria que se encontra em campanha salarial e pode aprovar greve no próximo dia 15. Hertz participará da assembleia da categoria, reforçando a solidariedade à mobilização. O PSTU possui uma longa trajetória de atuação nesse setor, e militantes do partido participam da direção do sindicato, acompanhando as lutas nos canteiros de obras no cotidiano.
Experiências semelhantes podem ser encontradas entre os operários da construção civil em Fortaleza, entre trabalhadores da indústria em diversas regiões do país e em inúmeros sindicatos e movimentos populares onde o partido atua.
Em defesa do socialismo
Essa presença não é circunstancial. Ela expressa uma compreensão estratégica: para o PSTU, as eleições são um espaço importante para apresentar um programa socialista, mas a transformação da sociedade não virá das urnas. Ela dependerá da organização e da mobilização daqueles que produzem a riqueza do país.
Nesse sentido, a campanha de Hertz Dias e Vanessa Portugal busca conectar propostas como o fim da escala 6x1, a redução da jornada sem redução salarial, a reestatização dos setores estratégicos da economia, a defesa dos serviços públicos e a reindustrialização do Brasil às lutas concretas travadas pela classe trabalhadora.
Mais que uma campanha eleitoral, o PSTU procura fortalecer uma alternativa política construída junto aos trabalhadores. Afinal, como ensina a tradição marxista revolucionária, a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores. E é justamente entre eles que o partido busca construir as bases para uma transformação socialista no Brasil.