O governo sofreu derrotas importantes no Congresso Nacional, evidenciando que sua política de concessão e aliança com o centrão é um verdadeiro desastre. No Senado, a rejeição de Jorge Messias numa indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi algo que não havia acontecido nos últimos 184 anos e escancarou isso.
Por trás dessa derrota, está o papel decisivo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que queria impor um nome de sua confiança, como o de Rodrigo Pacheco, para a vaga no STF, mas, mais do que isso, queria enterrar o inquérito do caso Master. Alcolumbre ainda tem interesse em se manter na presidência do Senado num eventual governo Flávio Bolsonaro, e a este interessa manter a vaga do STF aberta para que ele mesmo possa indicar um novo ministro. Entraria nesse grande acordão até Alexandre de Moraes que, embora ameaçado por uma revanche de um novo governo bolsonarista, tem problemas mais urgentes para lidar, como a iminente delação de Vorcaro.
O escândalo do banco Master, assim, fecha este ciclo de corrupção, que contou até com uma suposta traição de Jaques Wagner, do PT da Bahia, outro enrolado nas artimanhas do banqueiro preso.
Abaixo o PL da anistia para golpista!
Um dos resultados dessa articulação foi a derrubada de vetos do governo no chamado PL da Dosimetria, que alivia a pena dos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Na prática, a medida atende à pressão bolsonarista para aliviar a punição de seus apoiadores, mostrando como um governo entregue às negociatas deu margem para que o centrão e o bolsonarismo aprovassem isso. A redução das penas dos golpistas é um absurdo. É preciso punir os golpistas que atacam as liberdades democráticas para defender seu projeto autoritário e capitalista.
Agora Lula promete ir ao STF contra a derrubada do veto, reforçando que segue confiando de forma acrítica nas instituições do regime decadente capitalista.
Esse episódio revela, mais uma vez, que o Congresso Nacional funciona como um balcão de negócios dos interesses das elites políticas e econômicas do país.
Enquanto isso, temas de interesse dos trabalhadores são deformados e usados como medidas eleitoreiras para ganhar votos e manter o sistema capitalista funcionando. Diante da força da mobilização pelo fim da escala 6x1, o governo foi pressionado a apresentar a proposta de redução da jornada para 40 horas. Essa medida, porém, é insuficiente, sendo aceita até mesmo pelo presidente da Câmara e representante do centrão, Hugo Motta. Temos que lutar pela redução da jornada para 36 horas sem redução de salários e direitos como quer a extrema direita.
Polarização por dentro do sistema segue
A popularidade de Lula e do governo tem caído, pois está refém do seu próprio projeto capitalista, que não consegue resolver os problemas estruturais do país. Ao não enfrentar as engrenagens do sistema, Lula segue alimentando a lógica capitalista, o que ajuda a dar força para o centrão e o bolsonarismo.
Basta ver o que o governo Lula vem fazendo junto com Hugo Motta na Câmara. Estão aprovando a toque de caixa um marco regulatório para a exploração das terras raras que permite a entrega de recursos ao imperialismo.
Lula e o PT, que dizem tanto querer enfrentar a extrema direita, estão ajudando a aprovar leis que garantem não só segurança jurídica como financiamento para as multinacionais virem aqui e levarem as terras raras. Isso não é soberania. O governo recusa a criação da TerraBras justamente pela pressão do lobby dos monopólios dos EUA, da China e dos capitalistas brasileiros.
Liberdade a Thiago e Saif! Não à condenação de Zé Maria
Nesse momento existe um ativista brasileiro preso pelo Estado genocida de Israel. Thiago Ávila e Saif Abukeshek, membros da Global Sumud Flotilha, foram sequestrados em águas internacionais e levados para Israel, onde sofreram agressões, tortura e um julgamentofake, com resultado pré-definido pelo governo israelense. Era de se pensar que Lula estaria indo pautar uma exigência de libertação de Thiago na reunião com o Trump, dado que os EUA são os apoiadores e chefes de Israel, mas longe disso. Os interesses de Lula são entregar as terras raras e tecer elogios a Trump.
No Brasil também vemos os tentáculos autoritários de Israel com a pressão do lobby sionista fazendo com que a justiça brasileira condene Zé Maria de Almeida, presidente do PSTU, a dois anos de prisão por ter feito um discurso em defesa do povo palestino. Esse é um ataque contra as liberdades democráticas. Fere todos os defensores da causa palestina e todos os trabalhadores, lutadores e movimentos sociais.
A campanha pela libertação de Thiago e Saif e contra a condenação de Zé Maria é um caminho para garantirmos liberdades democráticas para lutarmos contra Israel, em defesa da Palestina e também pelas reivindicações dos trabalhadores. O sistema que gera opressão colonialista e violência contra os palestinos é o mesmo que gera miséria e desgraça por meio da exploração dos trabalhadores em todo o mundo.
Abaixo o imperialismo!
Nesse contexto, no qual os EUA seguem atacando o Irã, agredindo a Venezuela, impondo um perverso bloqueio a Cuba, unificar os povos e trabalhadores de todo o mundo contra o imperialismo é fundamental. A luta em defesa da Palestina é um ponto central da luta contra o imperialismo dos EUA. Assim como a luta em defesa da libertação nacional da Ucrânia contra a invasão russa também é parte da luta contra o imperialismo russo. Não há imperialismo bonzinho.
A disputa imperialista entre EUA e China gera desgraça para todos os trabalhadores, os quais precisam responder a essa situação fortalecendo um projeto socialista e revolucionário que conecte a luta anti-imperialista com a luta contra o capitalismo.