Editorial

Crise do Banco Master se aprofunda e mostra que no regime dos ricos ninguém é inocente

Redação

18 de abril de 2026
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Membros do Supremo Tribunal Federal. Foto: Antonio Augusto/STF

Enquanto fechávamos esta edição, o escândalo do Banco Master escalonava no aprofundamento de uma crise política que arrasta os três poderes, comprometendo de forma generalizada gente do governo, do centrão e da extrema direita.

O caso ganhou contornos de uma crise institucional com o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na CPI do crime organizado, pedindo o indiciamento e o impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O que Toffoli fez? Ameaçou cassar e tornar inelegíveis senadores que apoiaram o relatório por “abuso de autoridade”. Que moral tem o ministro que primeiro tentou pegar para si o processo contra Vorcaro, depois tentou impedir a Polícia Federal de ter acesso às provas das investigações e só aceitou deixar o caso depois que vieram à tona os negócios que mantinha com o sócio do banqueiro num resort no Paraná?

Os outros ministros do STF correram para blindar seus pares. Algo que eles já vêm fazendo desde o início do escândalo, quando, por exemplo, negocia-se uma delação premiada de Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes desengaveta do nada uma ação do PT de 2021 para restringir os efeitos da medida. E até as pedras sabem que Moraes não quer que seja investigado o contrato que o escritório de sua esposa mantinha com o banco Master, de inexplicáveis R$ 129 milhões.

Nessa bagunça, não dá para discordar de Gilmar Mendes quando ele afirma que Vieira “se esqueceu dos seus colegas milicianos”. Isso porque a CPI surgiu no rastro das investigações que revelaram como o PCC faz uso de fintechs da Faria Lima para lavar dinheiro e de ligações mais que suspeitas com a Polícia Militar de Tarcísio de Freitas ou políticos ligados a Cláudio Castro na Assembleia Legislativa do Rio. Tudo solenemente ignorado pelo senador. E mesmo que Alessandro Vieira tivesse resolvido circunscrever a CPI ao Supremo, ele também ignorou o contrato do filho do ministro Nunes Marques, indicado por Bolsonaro, com Vorcaro. Ou a presença do filho do ministro Luiz Fux, que votou pela absolvição de Bolsonaro, num camarote VIP do banqueiro na Sapucaí.

Em sua tentativa de se reacomodar no campo político e agradar a base bolsonarista num ano eleitoral, Alessandro Vieira não só expõe as falcatruas no STF, mas a própria hipocrisia do Congresso Nacional. Onde está o também senador Ciro Nogueira (PP-PI), que atuou de forma ativa em prol de Vorcaro, assim como Antônio Rueda (União)? Onde está Campos Neto, que deixou rolar os esquemas de fraude debaixo do nariz? Ou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que tentou comprar o Banco Master para livrar Vorcaro e meteu um prejuízo bilionário aos cofres públicos?

De qualquer forma, esse relatório não foi aprovado na CPI, já que o governo Lula, articulado com o STF, manobrou para trocar integrantes da comissão e ter maioria.

Engrenagens de um sistema dos ricos

O escândalo do Banco Master desnuda o funcionamento das instituições deste regime. Juízes e políticos são comprados com dinheiro, viagens de jatinho, jantares suntuosos em Londres regados a uísque caro e prostituição de luxo. São os mesmos políticos que enrolam para votar o fim da escala 6×1 e os mesmos ministros que empurram a pejotização goela abaixo dos trabalhadores, implodindo a CLT.

Mostra como essas instituições atuam exclusivamente em benefício dos bilionários e dos capitalistas, contra os trabalhadores e a população pobre. São meros funcionários dos banqueiros e grandes empresários que, se brigam num momento ou em outro, nas viagens de jatinho ou nas festas privê estão lado a lado, sorridentes e brindando com uísque pago por dinheiro roubado do povo.

Revela ainda que não dá para confiar nas instituições para se combater a extrema direita golpista, como faz o governo Lula. Ou alguém acha que Alexandre de Moraes concederia prisão domiciliar para Bolsonaro articular a candidatura de seu filho em sua mansão se não estivesse emparedado pelas denúncias que pairam sobre ele? O STF se contrapôs à tentativa de golpe unicamente porque uma mudança de regime contraria seus interesses e os interesses burgueses que cada um dos ministros representa. Não tem nada a ver com direitos e liberdades democráticas da população.

Mais que isso, ao se colocarem, com o apoio do governo, como paladinos da luta contra o golpe e pela democracia, se autoconcedem carta branca para fazer tudo, menos ser investigados. É uma desmoralização que serve como um verdadeiro presente à extrema direita, que agora vai explorar esse desgaste em prol de seu projeto autoritário.

Nenhuma confiança no regime dos ricos

Se o caso do Banco Master, que era uma instituição relativamente pequena, já impressiona por manter ministros do STF, senadores, deputados, governadores e membros do governo Lula no bolso, o que não se passa com os grandes bancos? Ou as grandes empresas que estão em plena campanha contra o fim da escala 6×1? O que se passa quando não são os interesses diretos deles próprios? Será que o fato de Gilmar Mendes ser contra os povos originários e a luta contra o Marco Temporal tem a ver com o fato de ele ser fazendeiro no Mato Grosso?

É preciso exigir investigação e punição de todos os culpados nesse escândalo, seja ministro do STF, seja senador, seja o que for. E investigar para valer a relação da Faria Lima com o PCC e autoridades, algo que inclusive era o foco da CPI, mas foi convenientemente esquecido.

Mas, mais que isso, essa crise serve para mostrar à classe trabalhadora que não se pode depositar um fio de esperança nas instituições do regime dos ricos. Os trabalhadores, os povos originários, as LGBTI+, as mulheres, as negras e negros, a população quilombola, a juventude e todos os setores explorados e oprimidos só podem confiar na força de sua própria mobilização para conquistar suas reivindicações, como a demarcação das terras indígenas, o fim da escala 6×1 e da pejotização, assim como os direitos dos trabalhadores por aplicativos.

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