Chega de discursos, queremos proteção!

Secretaria Nacional de Mulheres do PSTU
Chega de discursos, queremos proteção!

No dia 17 de agosto, num intervalo de uma hora, duas mulheres foram assassinadas em Contagem (MG). Silvani Paulino, de 37 anos, foi baleada pelo marido no próprio salão de beleza, diante de uma cliente e da filha mais velha do casal. Cerca de 50 minutos depois, Thaís Gonçalves, de 26, foi esfaqueada e atropelada pelo ex-namorado.

Silvani e Thaís entraram para a triste estatística dos feminicídios no Brasil.

Feminicídio não é fatalidade

Desde que a lei do feminicídio foi criada, em 2015, mais de 13.700 mulheres foram assassinadas no país. Somente em 2025, foram 1.571 feminicídios, além de centenas de milhares de agressões, estupros e outros tipos de violência.

Crimes cada vez mais bárbaros se acumulam. Em Águas de Lindoia (GO), uma mulher conseguiu escapar do ex-namorado depois de ser sequestrada, drogada, acorrentada, estuprada e ameaçada de morte. Em São Paulo, um homem matou asfixiadas as filhas de 3 e 5 anos para atingir a ex-companheira, que relatava perseguições e ameaças desde a separação.

Esses crimes mostram que o feminicídio não é uma fatalidade. Antes dele, vêm as ameaças, o controle, a perseguição, a violência psicológica, as agressões, o isolamento e, muitas vezes, pedidos de ajuda que não são atendidos.

Não faltam leis, falta vontade política

Enquanto a sociedade parece anestesiada com tanta brutalidade, governo e Congresso lançam pactos vazios ou defendem endurecer leis. Mas não faltam leis e pactos contra a violência. Falta dinheiro para implementá-los.

Lula anunciou um pacto nacional contra o feminicídio, mas seu governo cortou verbas do Ministério da Mulher, e menos de 15% das verbas para o combate à violência contra mulheres foram gastos em 2025. Das 40 Casas da Mulher Brasileira prometidas na campanha passada, apenas quatro saíram do papel.

Nos estados, a situação se repete. Em São Paulo, o governo Tarcísio cortou de modo sistemático o dinheiro do combate à violência. Em Goiás, os feminicídios aumentaram quase 64% durante os dois mandatos de Ronaldo Caiado. Em Minas Gerais, que só perde para São Paulo em números absolutos de feminicídios, Romeu Zema extinguiu a Secretaria da Mulher e negou-se até mesmo a integrar o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios.

E há ainda o Judiciário. Em São Paulo, Maria Adelma foi assassinada um mês depois de ter seu pedido de medida protetiva contra o ex-companheiro negado por um juiz, que considerou insuficientes as provas apresentadas.

A extrema direita não é solução

Não é possível separar o crescimento da violência doméstica da ofensiva de grupos masculinistas que espalham ódio às mulheres na internet. Apesar disso, figuras da extrema direita, como Renan Santos, declaram-se contra o PL da Misoginia e tratam como exagero a preocupação com discursos que naturalizam a inferiorização das mulheres. O candidato também é contra políticas federais de combate à violência de gênero.

Já Flávio Bolsonaro fala em proteção à mulher, mas seu projeto de ataque aos direitos sociais e aos serviços públicos aprofunda a dependência e a precarização que mantêm milhões de mulheres presas à violência. Seus aliados são figuras como Paulo Figueiredo, que acumula falas misóginas contra mulheres, utilizando inclusive o estupro como instrumento de humilhação política.

Discursos não protegem mulheres

Não se protegem mulheres com discursos duros e pactos sem dinheiro. É preciso financiar casas-abrigo, centros de referência, delegacias especializadas, equipes multidisciplinares, assistência social, moradia e políticas que permitam à mulher romper com o agressor sem ficar sem renda e sem ter para onde ir.

Para isso, é preciso revogar o arcabouço fiscal, acabar com as isenções fiscais às grandes empresas e taxar as grandes fortunas para reverter esse dinheiro para políticas de enfrentamento à violência.

MML realiza panfletagem em Recife (PE)

Ela tinha uma vida. Foi interrompida…

Neste mês de setembro, o Movimento Mulheres em Luta (MML) lança uma campanha nacional contra a violência para chamar a atenção da sociedade para os feminicídios. Essas mulheres não são apenas números: tinham vidas, planos e sonhos. Queremos transformar indignação em mobilização, construir redes de proteção coletiva e exigir que os governos financiem políticas de combate à violência. Não queremos apenas contar seus nomes depois da morte. Queremos lutar para que elas continuem vivas!

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