A vitória eleitoral de Flávio Bolsonaro e da extrema direita no primeiro turno representa sérios perigos para os trabalhadores no Brasil, que não têm nada a ganhar com este projeto autoritário que ameaça as liberdades democráticas, propõe um regime autoritário e busca criar as condições para aprofundar ainda mais os ataques contra os trabalhadores e entregar o país de vez para Trump. Seu projeto combina autoritarismo e aprofundamento da barbárie capitalista, com cortes profundos das áreas sociais, retirada de direitos, ataque aos setores oprimidos, privatizações, garantia do lucro dos grandes empresários e a entrega das riquezas aos EUA.
Por isso, vamos fazer um voto crítico em Lula contra Flávio Bolsonaro neste segundo turno. É fundamental enfrentar Flávio Bolsonaro, inclusive, preparando as mobilizações contra um eventual governo seu desde já.
Esse voto não significa apoio político a Lula ou ao seu governo de aliança com a burguesia. Pelo contrário, alertamos que uma vitória eleitoral de Lula não derrota, por si só, a força política e as bases sociais do bolsonarismo. Lula foi eleito em 2022 com esta promessa, mas, passados quatro anos, não só o bolsonarismo não foi derrotado como está muito mais forte.
Lembremos que o governo não só não revogou a reforma trabalhista como prometera, mas promoveu ataques aos trabalhadores como o arcabouço fiscal, manteve as privatizações, negociou com Trump para quem está entregando as terras raras e garantiu os interesses da burguesia, governando com o centrão e direita. Por isso o voto em Lula deve ser crítico, e a serviço da construção de uma alternativa que supere o projeto do PT.
O governo Lula administrou o sistema e não atacou os problemas estruturais do país, como a desindustrialização. O que tornou impossível acabar com a profunda desigualdade social brasileira, pois, para isso, precisava enfrentar a burguesia que é com quem governa. Em última instância, foi o próprio projeto da direção do PT que fez o governo Lula ajudar a alimentar a ameaça bolsonarista. Por isso, nós do PSTU, nos posicionamos desde o início do governo Lula como oposição de esquerda, e defendemos que não se pode alimentar nenhuma confiança no governo nem apoio político a ele porque, caso reeleito, seguirá atacando os trabalhadores novamente.
Unidade de ação contra Trump e a extrema direita
Diante das ameaças de Trump e Bolsonaro contra as liberdades democráticas, temos que construir a mais ampla unidade de ação para derrotá-los desde já. Estaremos na linha de frente da construção das mobilizações dos trabalhadores, da juventude e dos movimentos sociais contra o bolsonarismo e trumpismo.
Unidade de ação na luta contra a extrema direita, porém, também não pode significar apoio político ao governo Lula. Defendemos que o voto deve ser crítico também porque ele é um chamado aos trabalhadores a se mobilizarem contra os ataques que virão, independentemente de quem for eleito.
Independência de classe e uma alternativa socialista
Derrotar Trump e Bolsonaro para valer, exige que os trabalhadores levantem um projeto contra o sistema, exige enfrentar o poder da burguesia. Para isso, os trabalhadores têm que ter independência política dos diferentes projetos capitalistas. Essa é a grande tarefa da classe trabalhadora.
Confiar em qualquer setor da burguesia é preparar a nossa derrota. Quando os trabalhadores ficam a reboque do projeto autoritário do bolsonarismo ou da política de aliança com a burguesia defendida pela direção do PT, perdem força para enfrentar Trump e a extrema direita, conquistar melhorias em suas condições de vida e construir um projeto capaz de derrotar o sistema a partir de seus próprios interesses.
Seguiremos na vanguarda do enfrentamento à extrema direita e ao trumpismo, com um programa da classe trabalhadora, socialista e revolucionário. Alertamos que essa permanente política de votar mal menor a cada quatro anos, de confiar no projeto político do PT, da esquerda do sistema, de apoiar politicamente governos da burguesia, leva sempre a uma derrota estratégica.
A tarefa é mobilizar os trabalhadores, buscar ampliar sua organização, disputar sua consciência para um programa socialista e independente da burguesia, para derrotar a extrema direita e superar a esquerda do sistema.
Vamos pra rua, derrotar Bolsonaro , levantar nossas pautas e construir um processo de luta, de independência de classe e organização para enfrentar de verdade Trump e o bolsonarismo, derrotar o sistema e construir uma nova forma de sociedade.