A organização internacional Global Sumud Flotilha divulgou nesta quinta-feira (14) um comunicado oficial anunciando a partida da embarcação humanitária da cidade de Marmaris, na Turquia, em direção à Faixa de Gaza. Segundo a nota, a missão, com 54 embarcações, busca estabelecer um corredor humanitário para romper o bloqueio imposto por Israel ao território palestino.
No comunicado, a coordenação da Flotilha afirma que a viagem entra agora em sua “fase final e mais crítica” e informa que uma equipe jurídica internacional notificou formalmente governos e organismos internacionais sobre a legalidade da missão e sobre possíveis consequências legais para qualquer tentativa de interceptação da embarcação.
Flotilha denuncia bloqueio israelense como ilegal
A nota sustenta que o bloqueio israelense a Gaza “não é um bloqueio marítimo legítimo”, mas uma forma de “punição coletiva” e de impedimento ao acesso da população civil a bens essenciais à sobrevivência. Com isso, a Flotilha reivindica o direito de navegação em águas internacionais e denuncia possíveis ações de interceptação como ilegais.
Segundo o comunicado, a viagem representa um exercício prático do Direito Internacional diante da incapacidade dos governos e organismos multilaterais de garantir o acesso humanitário à população palestina.
Equipe jurídica aciona organismos internacionais
O comunicado também afirma que foram ativados mecanismos jurídicos internacionais baseados em três eixos: prevenção, documentação e responsabilização criminal. Segundo a organização, notificações foram enviadas aos países envolvidos na rota da missão e às nações sob cujas bandeiras as embarcações navegam.
A Global Sumud Flotilha afirma ainda que mantém um sistema de documentação para registrar qualquer tentativa de bloqueio de comunicação, abordagem ou interceptação da missão, com o objetivo de utilizar o material em futuras ações perante tribunais internacionais.
Histórico de interceptações em águas internacionais
A nota menciona que já existem processos judiciais abertos em países como Espanha, Itália e Turquia relacionados a operações anteriores contra embarcações humanitárias com destino a Gaza. Segundo o comunicado, autoridades e integrantes de unidades militares israelenses são alvo de investigações e pedidos de responsabilização internacional.
A organização também denuncia o histórico de interceptações promovidas por Israel contra missões civis em águas internacionais do Mar Mediterrâneo.
“Israel criminaliza a solidariedade”, diz Mandi Coelho
Ao tratar dessas ações, a brasileira Mandi Coelho, militante do PSTU e da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI), relembrou sua própria experiência durante essa atual missão da Flotilha no Mediterrâneo.
“Fomos sequestrados em águas internacionais quando seguíamos em uma missão humanitária. Israel age acima do Direito Internacional, criminalizando a solidariedade ao povo palestino. Mesmo depois do que vivi, sigo apoiando a Flotilha porque romper o cerco a Gaza é uma necessidade humanitária urgente”, afirmou Mandi.
Ela integrou a atual delegação internacional que partiu da Espanha em direção à Gaza e foi interceptada por forças israelenses durante a viagem. Atualmente no Brasil, Mandi continua participando de iniciativas de solidariedade à Palestina e de apoio às novas missões da Flotilha.
Pressão internacional e ações judiciais em curso
No comunicado divulgado nesta quinta-feira (14), a Global Sumud Flotilha afirma que sua partida representa também um “teste” às instituições internacionais e às Nações Unidas, cobrando posicionamentos diante da situação em Gaza e das restrições impostas à entrada de ajuda humanitária no território palestino.
A nota aponta ainda que há uma crescente pressão para que organismos internacionais, incluindo o Tribunal Internacional de Justiça e o Tribunal Penal Internacional, se posicionem sobre a legalidade das restrições impostas a Gaza e sobre as ações realizadas contra missões humanitárias no Mediterrâneo.