Nos últimos dias, a solidariedade internacional à Palestina voltou ao centro do debate com o afastamento do rapper estadunidense Macklemore da turnê de Ed Sheeran.
Nos últimos três anos, Macklemore têm sido um dos principais artistas ao redor do mundo a defender publicamente a Palestina. Lançou a música Hind's Hall em maio de 2024, momento em que estouravam nas universidades dos EUA os acampamentos em defesa do povo palestino. Mais tarde, no mesmo ano em setembro, lançou uma segunda versão da música com a participação de artistas palestinos.
Nas músicas, além de denunciar a contínua Nakba, que já dura mais de sete décadas, também denuncia a censura da mídia, das redes sociais e das gravadoras e grandes empresas de entretenimento.
Nesta segunda-feira, 14, o artista lançou uma nota em suas redes se pronunciando sobre sua remoção como ato de abertura dos shows de Ed Sheeran.
Ainda nesse mês, estávamos agendados para tocar no Gilette Stadium, propriedade do grupo Kraft. Ed [Sheeran] me informou que Kraft disse que eu não poderia me apresentar em seu estádio. Ed também me disse que Kraft entrou em contato com outros empresários e que, coletivamente, deram um ultimato: se eu continuasse na turnê, Ed não poderia se apresentar nos estádios agendados.
A polêmica se agudizou com a entrada da cantora P!nk em cena. Misturando antissemitismo com antissionismo, ela acusou Macklemore de disseminar ódio aos judeus e saiu em defesa do regime colonialista israelense. A cantora usa como escudo sua ascendência judia.
Ao contrário de P!nk, diversos grupos e movimentos de judeus antissionistas têm cumprido um papel fundamental na denúncia dos crimes cometidos por Israel e na defesa do povo palestino, desmentindo a narrativa de que lutar contra o sionismo é a mesma coisa que ser antissemita.
Essa confusão proposital é a mesma que abriu precedente para a condenação de Zé Maria de Almeida, presidente nacional do PSTU, pela Justiça Federal de São Paulo, em um processo movido pela Confederação Israelita do Brasil (CONIB) e pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (FISESP).
O motivo do processo? Ter defendido o povo palestino, denunciado os crimes de Isarel e entoado a palavra de ordem “Palestina livre do rio ao mar” numa manifestação em 2023, em São Paulo.
De Macklemore a Zé Maria, o lobby sionista tenta censurar, silenciar e criminalizar a luta em defesa do povo palestino ao redor de todo o mundo. Tanto Zé Maria como Macklemore reconhecem: a real vítima da situação é o povo palestino.
Por um lado, o processo contra Zé Maria abre precedentes para a criminalização de todos aqueles que lutam contra o genocídio e pela libertação de um povo que resiste bravamente há mais de 70 anos, desde a fundação de Israel em território palestino ocupado. Por outro lado, a censura contra Macklemore expõe como a mídia e as grandes empresas estão a postos para mover mundos e fundos contra aqueles que ousem denunciar Israel e seus aliados.
Como o rapper denuncia em sua nota:
Tomar um lado pode te custar muito. Dinheiro, campanhas com marcas, patrocínios, festivais, shows privados, relações e acesso. Eu perdi todas essas coisas. Mas não há posição de neutralidade entre o opressor e o oprimido. Quando um lado tem bombas e apoio financeiro e militar massivo dos Estados Unidos, se negar a tomar um lado não te posiciona no meio do conflito.
Eu não precisei de 10 shows com Ed. Precisei de 2. Duas chances para ficar em frente a 90 mil pessoas e dizer essas palavras que, de alguma forma, se tornaram tão perigosas:
Palestina livre.
Mas, se essas palavras me custaram o palco, enquanto os olhos se voltarem à Palestina, esses serão os shows mais bem-sucedidos que já fiz.
Seguimos na campanha pela absolvição de Zé Maria (saiba mais aqui) e na luta contra a criminalização de quem luta em defesa do povo palestino, por uma Palestina livre do rio ao mar.