Metalúrgicos de São José dos Campos e região, intensificam campanha pelo fim da escala 6x1

PSTU São José dos Campos
Metalúrgicos de São José dos Campos e região, intensificam campanha pelo fim da escala 6x1
Protesto pelo fim da Escala 6x1 na General Motors

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, junto com a militância do PSTU, intensificaram nas últimas semanas a campanha pelo fim da escala 6x1 e pela implementação da jornada de trabalho 4x3, com 36 horas semanais sem redução salarial.

A campanha vem sendo construída por meio de diferentes iniciativas de agitação e propaganda. Um jornal específico sobre a luta contra a escala 6x1 foi produzido e distribuído para trabalhadores e população da região. Outdoors espalhados pela cidade divulgam a campanha, além da produção de adesivos para para-brisas de carros e adesivos de peito utilizados nas atividades de mobilização.

Outdoor da campanha pelo fim da Escala 6x1

Além disso, o sindicato produziu uma peça publicitária que está sendo exibida durante os intervalos comerciais de emissoras de televisão da região do Vale do Paraíba.

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As ações também incluem dezenas de panfletagens realizadas nas portas de fábricas e em praças públicas de municípios como Jacareí, Caçapava e São José dos Campos. A mobilização busca dialogar diretamente com trabalhadores da indústria, comércio e demais categorias afetadas pelas longas jornadas de trabalho e pela precarização.

Na próxima terça-feira, 26 de maio, uma caravana composta por representantes do PSTU e do Sindicato dos Metalúrgicos seguirá para Brasília para entregar uma carta aos parlamentares. O documento reivindica a implementação da jornada 4x3 com 36 horas semanais, sem redução de salário, o fim da escala 6x1 sem compensação aos patrões e medidas contra a pejotização.

Segundo Weller Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e militante do PSTU, a luta pela redução da jornada representa uma necessidade concreta para a classe trabalhadora.

“A luta da classe trabalhadora por redução de jornada de trabalho é uma luta histórica, vem desde a Revolução Industrial. Nos dias atuais, com o desenvolvimento tecnológico e as automações a implementação da jornada de 4x3 com 36 horas semanais é possível, urgente e necessária para a classe trabalhadora poder descansar mais, ter tempo para a família e desenvolver outros projetos como formação acadêmica, cultura e lazer”, afirmou Weller.

A campanha também dialoga com a realidade enfrentada pelas mulheres trabalhadoras. Para Fátima, ativista do movimento de mulheres, militante do PSTU e pré-candidata a deputada estadual, a atual jornada aprofunda a sobrecarga das mulheres da classe trabalhadora.

“As mulheres são as que mais sofrem com a jornada atual de 6x1, pois além da tripla jornada de trabalho; que inclui o trabalho doméstico, os cuidados com a família e o emprego formal ou informal; ainda enfrentam condições cada vez mais precarizadas. A redução da jornada sem redução salarial é mais um passo na luta das mulheres por melhores condições de vida e emancipação”, destacou Fátima.

Fátima durante mobilização pela redução da jornada de trabalho

Arthur, militante do PSTU em Caçapava e pré-candidato a deputado federal, ressaltou que diversos setores da indústria já operam em escalas reduzidas e criticou os argumentos empresariais contra a redução da jornada.

“Vários setores da indústria já possuem escala de segunda a sexta, no modelo 5x2. Lutamos pela redução da jornada para 4x3 em todos os ramos de trabalho e produção. É uma mentira descarada a campanha da burguesia dizendo que a economia vai quebrar com a redução da jornada. O objetivo dos capitalistas é manter a superexploração da classe trabalhadora enquanto ampliam seus lucros ano após ano”, declarou Arthur.

Arthur, militante do PSTU e pré-candidato a deputado federal

A campanha deve continuar nos próximos meses. Aproveitando o período de Copa do Mundo, o Sindicato dos Metalúrgicos também confeccionou uma camisa temática inspirada nas cores do uniforme da seleção brasileira, mas com foco na luta pelo fim da escala 6x1. A camiseta traz o slogan: “Torço pelo Brasil e luto contra os ataques dos patrões e governos.”

A campanha e mobilizações seguirá até a conquista do fim da escala 6x1 e da redução da jornada de trabalho sem redução salarial para toda a classe trabalhadora.

Não aceitamos a omissão do governo Lula e denunciamos os ataques do Centrão e da extrema direita contra o fim da escala 6x1

A luta pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho voltou ao centro do debate nacional nas últimas semanas. Enquanto trabalhadores organizam mobilizações em diversas regiões do país, cresce também a pressão de setores empresariais, do Centrão e da extrema direita para impedir qualquer avanço nos direitos trabalhistas. A exemplo de Flávio Bolsonaro, Valdemar, Nicolas Ferreira, Tarcísio e outros.

O governo Lula mantém um discurso favorável à redução da jornada, mas segue conciliando interesses com empresários, banqueiros e partidos do Centrão. Essa política do governo federal impede uma ruptura real com a precarização do trabalho e limita qualquer mudança estrutural nas condições de vida da classe trabalhadora.

A crítica também se dirige às negociações em torno de propostas que mantêm compensações aos patrões, períodos longos de transição ou flexibilizações que descaracterizam a redução efetiva da jornada. Para nós do PSTU, não basta reduzir parcialmente as horas de trabalho se os trabalhadores continuarem submetidos à superexploração, à pejotização e à retirada de direitos.

Repudiamos os ataques promovidos por partidos do Centrão, da direita tradicional e da extrema direita dentro do Congresso Nacional. Nos últimos meses, parlamentares ligados a esses setores apresentaram propostas que mantêm a escala 6x1, ampliam possibilidades de jornadas de até 52 horas semanais e adiam por anos qualquer redução real da carga horária de rabalho.

Esses setores atuam diretamente em defesa dos interesses dos grandes empresários e do mercado financeiro. Segundo as denúncias feitas pelas organizações que participam da luta pelo fim da escala 6x1, o objetivo dessas propostas é preservar os lucros patronais às custas do desgaste físico e mental da classe trabalhadora.

A extrema direita também vem atacando publicamente a pauta da redução da jornada. Lideranças bolsonaristas e representantes de partidos conservadores classificaram a proposta como “prejudicial à economia” e afirmaram que a redução da jornada poderia afetar a produtividade das empresas.

Esse discurso busca justificar a manutenção de um modelo de trabalho baseado na exploração intensiva da mão de obra, enquanto grandes empresas seguem acumulando lucros bilionários.

Dia 27 e 28 de maio, vamos intensificar a luta e organizar a classe

As mobilizações nacionais pelo fim da escala 6x1 têm crescido nos últimos meses, reunindo trabalhadores, movimentos sociais, sindicatos e organizações políticas em diferentes estados do país. A reivindicação central é a redução da jornada sem redução salarial, sem retirada de direitos e sem compensações aos patrões. A luta contra a escala 6x1 representa também uma luta contra a precarização das relações de trabalho, o adoecimento físico e mental da população trabalhadora e o aprofundamento das desigualdades sociais no país.

Trabalhadores, juventude, movimentos populares e sindicatos vêm intensificando as mobilizações em defesa da jornada 4x3, com 36 horas semanais sem redução salarial e sem retirada de direitos. Enquanto patrões, o Centrão e a extrema direita tentam bloquear qualquer avanço para a classe trabalhadora, aumenta a necessidade de fortalecer a mobilização nas ruas para derrotar os ataques e garantir mais tempo de descanso, convivência familiar, cultura, lazer e melhores condições de vida.

No próximo dia 27, os atos e manifestações em todo o país serão mais um passo importante nessa luta. A convocação é para ampliar a participação nas panfletagens, manifestações e atividades organizadas nos locais de trabalho, estudo e nas praças públicas.

No dia 28, o movimento sindical, partidos políticos e organizações sociais de São José dos Campos e região, realizarão ato unificado, às 10h no centro da cidade. Pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário.

A votação pelo fim da escala 6x1, está prevista para o dia 28 de maio, no plenário da câmara dos deputados. O diálogo com a população e pressão nos parlamentares, é fundamental por isso achamos que é importante a realização de atos massivos em todas as regiões do país.A redução da jornada sem redução de salário não será conquistada através de acordos com empresários e governos, mas com organização, unidade e pressão da classe trabalhadora nas ruas contra a exploração e a precarização do trabalho.

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