Ocupação da Secretaria de Planejamento de Belo Horizonte escancara a intransigência do governo Damião

Firminia Rodrigues, de Minas Gerais
Ocupação da Secretaria de Planejamento de Belo Horizonte escancara a intransigência do governo Damião
Trabalhadores da Educação ocupam Secretaria de Planejamento de BH Foto Sind-Rede

A greve da Educação Municipal de Belo Horizonte entrou em um novo momento de mobilização. Diante da recusa da Prefeitura em apresentar soluções concretas para os principais pontos da campanha salarial e das ameaças contra os trabalhadores da educação, representantes do Comando de Greve ocuparam o prédio da Secretaria Municipal de Planejamento exigindo negociação imediata com o governo municipal.

O objetivo da ocupação é claro: garantir a retirada do corte de ponto, assegurar a reposição para todos os trabalhadores e impedir que a Prefeitura utilize mecanismos de perseguição para tentar derrotar uma greve legítima, construída democraticamente pela categoria.

Após 37 dias de greve, o governo do prefeito Álvaro Damião (União) segue apostando na intransigência. Em vez de apresentar uma proposta que responda às reivindicações da categoria, a administração municipal tenta desgastar o movimento e criminalizar a luta.


Durante a ocupação da Secretaria, houve momentos em que não se podia entrar água e comida além do não uso do banheiro. Além disso, houve uma agressão a um professor, pela Guarda Municipal, que o levou ao hospital. Durante esse tempo também foi usado gás de pimenta para afastar os manifestantes de uma das portas da Secretaria, atingindo dentro do espaço onde estavam os ocupantes, gerando desconforto.

A postura da Prefeitura demonstra que o problema não é falta de recursos ou impossibilidade de negociação. Trata-se de uma escolha política. O governo Damião decidiu enfrentar os trabalhadores da educação enquanto mantém uma política voltada para atender os interesses dos grandes empresários da cidade, das OSCs e dos setores que lucram com a privatização dos serviços públicos.

A tentativa de impor cortes de salário aos grevistas e ameaçar a reposição das aulas é parte dessa estratégia. O governo busca desmoralizar a greve e criar um ambiente de medo entre os trabalhadores. Porém, a categoria tem demonstrado disposição para resistir e defender seus direitos.

Um governo que ataca a educação e abandona os serviços públicos

A greve da educação não é um fato isolado. Ela expressa um conjunto de problemas acumulados pela gestão municipal. Enquanto os trabalhadores da educação lutam por valorização profissional e melhores condições de trabalho, as escolas convivem com falta de profissionais, sobrecarga de trabalho e dificuldades para garantir um atendimento adequado aos estudantes.

Além disso, cresce a preocupação com os processos de terceirização e privatização de serviços públicos, incluindo iniciativas que ameaçam o atendimento especializado de estudantes com deficiência, transtornos e altas habilidades. Em vez de fortalecer os serviços públicos, a Prefeitura abre espaço para organizações privadas e precariza o trabalho dos servidores.

A política da atual gestão também se expressa em outros problemas enfrentados pela população de Belo Horizonte: dificuldades no atendimento à saúde, precarização de serviços públicos, falta de investimentos em áreas sociais e ausência de diálogo com trabalhadores e movimentos populares.

O mesmo governo que se nega a negociar seriamente com a educação é o que governa sem ouvir a população e sem apresentar respostas para os problemas que afetam diariamente os bairros da cidade.

Trabalhadores da Educação ocupam prédio da Secretaria de Planejamento HHFfot

A força da mobilização é o caminho

A ocupação da Secretaria de Planejamento mostra que a categoria não aceitará passivamente os ataques da Prefeitura. A luta pela retirada do corte de ponto e pela garantia da reposição para todos os trabalhadores é uma luta em defesa do direito de greve e da própria educação pública.

O governo Damião esperava que o desgaste e as ameaças levassem ao enfraquecimento do movimento. O que encontra, porém, é uma categoria que segue mobilizada, construindo assembleias, atos, ocupações e buscando ampliar a solidariedade da população à greve.

Para o PSTU, a saída para a educação municipal não virá da boa vontade do prefeito nem das negociações de gabinete. Será resultado da mobilização dos trabalhadores, da unidade com estudantes, famílias e demais servidores públicos, e da ampliação da pressão sobre a Prefeitura.

A ocupação da Secretaria de Planejamento é mais um passo nessa luta. Retirar o corte de ponto, garantir a reposição para todos e conquistar as reivindicações da campanha salarial são objetivos fundamentais. Mas a batalha também é maior: trata-se de enfrentar uma política que ataca os serviços públicos e colocar em discussão qual cidade está sendo construída em Belo Horizonte e a serviço de quem ela é governada.

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