A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo reuniu milhares de pessoas na avenida Paulista no último dia 7, reafirmando a importância histórica de uma das maiores manifestações LGBT+ do mundo. O PSTU participou do evento com um bloco classista e socialista, levando às ruas a defesa dos direitos da população LGBT+, o combate à extrema direita, a denúncia da política de conciliação do governo Lula, a defesa do fim da escala 6x1, das cotas trans e a solidariedade ao povo palestino.
“A Parada segue sendo um importante espaço de visibilidade e resistência. No entanto, fazemos um alerta. O evento tem se distanciado cada vez mais de suas origens para assumir um perfil marcado pelas grandes empresas, patrocínios e ações de marketing”, destaca João Conceição, da Secretaria Nacional LGBT+ do PSTU.
“Essa crescente mercantilização reflete uma estratégia das direções do movimento LGBT+ que subordinam nossas pautas aos interesses de governos e empresas que, durante o restante do ano, não enfrentam os problemas concretos vividos pela população LGBT+ trabalhadora”, completa.
“A diversidade celebrada nas propagandas não elimina a dura realidade de exploração” defende o panfleto distribuído na Parada de São Paulo. O material critica o chamado “pink money”, estratégia utilizada por empresas para associar suas marcas à causa LGBT+ sem compromisso efetivo com o combate às desigualdades e opressões.
LGBTI+ trabalhadoras seguem enfrentando violência e precarização
Apesar de importantes conquistas obtidas nas últimas décadas, a população LGBT+, especialmente pessoas trans, continua enfrentando altos índices de violência, discriminação, desemprego e exclusão social. Essas condições são impostas pelo sistema capitalista, que avança na precarização do trabalho, com baixos salários, aumento da informalidade e a escala 6x1.
As Paradas devem servir para ampliar e fortalecer a luta pela criminalização efetiva da LGBTIfobia, exigir dos governos políticas de acesso ao emprego e à educação, cotas em universidades e concursos públicos para pessoas trans, além da redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais sem redução salarial.
Independência frente aos governos e aos patrões
Outro eixo da intervenção do PSTU foi a crítica à política de conciliação de classes do governo Lula. Os direitos da população LGBT+ não podem ficar subordinados às negociações com setores conservadores do Congresso Nacional.
É preciso construir um movimento independente dos governos e dos patrões, capaz de enfrentar a extrema direita sem abrir mão das reivindicações históricas da classe trabalhadora e dos setores oprimidos.
A extrema direita utiliza as opressões para dividir a classe e seu discurso de ódio justifica a crescente ofensiva contra os direitos historicamente conquistados, porém sem combater as bases materiais do capitalismo, que sustenta seu avanço, não é possível derrotá-la definitivamente.
Não há orgulho no genocídio
O bloco também levou às ruas as bandeiras da Palestina e denunciou a postura do Estado de Israel em utilizar a pauta LGBT+ para mascarar o genocídio contra o povo palestino.
O partido denunciou a estratégia conhecida como “pinkwashing”, quando governos utilizam a defesa dos direitos LGBT+ para ocultar práticas de violência, discriminação ou violações de direitos humanos.
Exigimos do governo Lula o rompimento imediato das relações comerciais e diplomáticas com Israel.
A rua é o lugar das Paradas
Neste ano, em que a Parada completou três décadas de existência, o PSTU também rechaçou iniciativas que buscam restringir a ocupação das ruas pelo movimento LGBT+.
“O projeto do vereador Rubinho Nunes, do União Brasil, busca tirar a Parada das ruas, impedir a participação das famílias e transformá-la em um evento fechado e controlado. Precisamos derrotar esse ataque”, afirma Renata França, da Secretaria LGBT+.
E, continua: “Contudo, o tema da Parada deste ano – ‘A rua convoca, a urna confirma’ – traz uma ilusão perigosa, a de que as urnas são o principal caminho para derrotar os ataques. A experiência mostra o contrário. Nenhum direito importante foi conquistado apenas pelo voto. Tampouco a extrema direita será derrotada apenas nas eleições. Os direitos conquistados foram resultado da mobilização social, nas ruas”.
Stonewall segue vivo
A intervenção do PSTU nas Paradas LGBT+ em todo país irão resgatar o legado da Revolta de Stonewall, ocorrida em 1969, nos Estados Unidos, considerada o marco fundador do movimento LGBT+ contemporâneo.
A origem das Paradas está ligada à resistência contra a violência policial, a discriminação e a marginalização social, e não às campanhas publicitárias ou aos interesses empresariais.
“Nosso orgulho nasceu da rebelião! Para o PSTU, preservar essa memória significa fortalecer a luta contra a LGBTIfobia, o racismo, o machismo e todas as formas de opressão, vinculando essa batalha à construção de uma sociedade socialista”, finaliza Renata.