A saúde é algo muito importante para os trabalhadores, pois se a pessoa não tem saúde, ou seja, não está apta para trabalhar, não tem comida na mesa. Quem nunca ouviu a pergunta: ter saúde é o que importa, o resto a gente corre atrás? Apesar dos trabalhadores formais terem direito ao auxílio-doença, sabemos que o valor, na maioria das vezes, é menor do que aquele que se costuma receber. E sem falar que muitas vezes demora meses para receber o benefício.
No entanto, temos um enorme contingente de trabalhadores na informalidade que não podem acessar este benefício nos momentos de aperto. E este número não é pequeno: segundo o IBGE, 30% dos trabalhadores do Paraná estão na informalidade. E os problemas não param por aí: para além da impossibilidade de trabalhar, estes e os demais que precisam do atendimento à saúde pública sofrem com a precarização do SUS.
Segundo o Conselho Regional de Medicina do Paraná, o tempo médio de espera para a realização de exames especializados, como ressonâncias magnéticas, tomografias, colonoscopias, endoscopias e cateterismos, varia de 6 a 18 meses. Levantamentos do Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR), registra que a espera média por consultas em especialidades como neurologia, ortopedia, cardiologia, oncologia e oftalmologia é de 8 a 14 meses.
Temos ainda um contingente histórico de mais de 200 mil paranaenses aguardando na fila por cirurgias eletivas: o tempo médio de espera para procedimentos ortopédicos de alta complexidade (como próteses de quadril e joelho) e cirurgias vasculares oscila entre 1 a 3 anos, segundo a própria Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Fiscalizações do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR) e do MPPR nas UPAs da Região Metropolitana e do interior revelaram que pacientes em estado grave triados nas UPAs do estado aguardam, em média, de 3 a 7 dias internados nos corredores ou salas de emergência das UPAs até que a Central de Regulação de Leitos consiga a liberação de uma vaga hospitalar.
Como podemos ver,a realidade da saúde pública paranaense não tem nada a ver com a propaganda do governo. Ratinho não está preocupado com a saúde dos pobres. Ele e sua turma, junto com os grandes empresários, não sabem o que é ficar horas numa fila de UPA ou meses para uma consulta com especialista.
Sucateamento da rede
Esta realidade é o reflexo do sucateamento da rede pública de saúde, que passa por um forte processo de privatização, terceirização e falta de investimento. Dos 24 hospitais estaduais, apenas 6 unidades permanecem sob a administração direta do Poder Executivo estadual: o Complexo Hospitalar do Trabalhador em Curitiba, o Hospital Luiza Borba Carneiro em Tibagi e os 4 hospitais universitários.
As outras 18 unidades da rede própria estadual não são geridas pela administração direta. A sua gestão foi transferida para a FUNEAS (Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná), que atua como fundação pública de direito privado. Esta fundação é uma manobra jurídica para precarizar os serviços. Os trabalhadores contratados pela FUNEAS estão em regimes temporários, como os processos seletivos simplificados, PJs e CLT.
A FUNEAS, nada mais é do que um tipo de privatização que prejudica a população, pois a saúde pública depende da continuidade do cuidado, especialmente em UTIs, oncologia, pediatria e tratamentos contínuos. A troca constante de médicos, enfermeiros e técnicos descontínua rotinas médicas, exige treinamento constante de novos funcionários e precariza a integração das equipes nos hospitais regionais. E além disso, gera postos de trabalho precarizados. O trabalhador temporário exerce as mesmas funções que um servidor concursado, mas recebe salários menores, tem menos benefícios e não possui plano de cargos, carreira e salários. Somado a isso temos um enorme déficit de trabalhadores: segundo o sindicato da categoria, o SindSaúde PR, esse desfalque passa de 3.500 profissionais.
O que já é ruim, é ainda pior para a população no interior do estado. A população trabalhadora do interior é mais afetada com o sucateamento da saúde. A precarização leva os paranaenses a fazerem viagens de centenas de quilômetros para conseguir uma consulta ou exame. Enquanto na capital temos uma média de 8,83 médicos por mil habitantes, no interior este número cai para 2,16 médicos por mil habitantes. Curitiba concentra 43% de todos os médicos do estado.
Para amenizar este problema, o estado e os municípios formam os tais consórcios da saúde,que funcionam como balcões de compra de serviços privados baseados em cotas de exames e consultas.No entanto, não tem resolvido o problema, pois muitas clínicas não atendem no interior pelo baixo lucro. E mais: isso apenas tira dinheiro da saúde pública para colocar no bolso das clínicas privadas, garantindo seus lucros.
Nós do PSTU defendemos que o dinheiro público não pode ir para as mãos do setor privado e a necessidade de aumentar os investimentos na saúde para resolver todos estes problemas.
Saúde mental
Outro ponto importante é a saúde mental, pois estamos diante de uma pandemia. Em 2025, o Paraná registrou mais de 2,55 milhões de atendimentos em saúde mental na rede pública, representando um aumento de 19% em relação ao período anterior.
Na contramão do fortalecimento do modelo público antimanicomial e da Luta Antimanicomial, o governo estadual estruturou o repasse contínuo de verbas para instituições privadas e confessionais. O Governo do Paraná instituiu o repasse direto de R$ 10 milhões por ano em editais voltados a financiar vagas em Comunidades Terapêuticas (CTs) privadas. O estado desvia verbas do orçamento público da saúde/assistência para financiar entidades religiosas de isolamento, enquanto os CAPS públicos operam com equipes incompletas e infraestrutura defasada.
É preciso investimento e acabar com as privatizações
Apesar de o Paraná possuir a 4ª maior economia do país (PIB), o governo estadual está historicamente no final da fila entre os estados brasileiros na proporção da receita própria (RCL) reinvestida na saúde. Em 2025 Ratinho Júnior investiu apenas R$7,95 bilhões na saúde, porém a isenção fiscal deste mesmo ano passou de R$17 bilhões. Esta isenção é praticamente 25% de toda a arrecadação do estado, e boa parte disso vai para os grandes empresários.
É por estes elementos que dizemos que não será possível resolver os problemas dos trabalhadores sem enfrentar estes bilionários. E ainda queremos fazer um parêntese aqui: a situação da saúde só não é pior, porque uma boa parte dos trabalhadores, sabendo da precarização do SUS, acabam por apertar os cintos para conseguir pagar um plano de saúde.
A desculpa de Ratinho, e até de Lula, para os baixos investimentos nas áreas sociais como a saúde é a responsabilidade fiscal. Por isso nós somos contra essas leis, pois elas servem para reduzir os investimentos nas áreas sociais para garantir mais isenção de impostos aos bilionários e pagar os juros da “dívida pública” aos agiotas. Precisamos colocar abaixo o arcabouço fiscal de Lula e acabar com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Nossa responsabilidade tem que ser, em primeiro lugar, garantir serviços públicos a toda a população, pois somos nós que produzimos toda a riqueza desse país.
Enquanto quem trabalha para sobreviver sofre com o sucateamento do SUS, as operadoras de plano de saúde batem recorde de lucro todo ano. Em 2025 as operadoras tiveram um lucro líquido de R$24,4 bilhões (um crescimento de 120% em comparação ao ano anterior, 2024). Por isso, nós defendemos, inclusive, a taxação dos super-ricos para resolver os problemas sociais.
Por um verdadeiro sistema único de saúde
A classe trabalhadora que produz toda riqueza desta sociedade merece ter acesso a um sistema de saúde digno, que cubra todas suas necessidades. Por isso é fundamental acabar com a privatização da saúde e taxar os bilionários para garantir a ampliação da rede até suprir toda a demanda do estado. No entanto, isso ainda não será suficiente.
Todos estes problemas na saúde e demais áreas sociais não são meramente administrativos. Eles fazem parte do sistema, é justamente nesta lógica que o capitalismo funciona. Vejam, se o SUS atendesse de fato todas as nossas necessidades, as operadoras de plano de saúde não lucrariam bilhões todos os anos. O que não nos falta é capacidade e riquezas para construir vários hospitais, formar médicos aos milhares e produzir todo o equipamento. Porém, nesta sociedade se produz apenas pensando no lucro e não em atender as nossas necessidades.
Colocar na mão dos trabalhadores todas as forças produtivas é a única forma de resolver nossos problemas de uma vez por todas, ou seja, expropriar os grandes meios de produção. Na área da saúde, começaremos por expropriar as grandes redes hospitalares efetivando todos os trabalhadores. E a partir de um plano de obras públicas construir o que faltar para resolver o problema.
Colocar todas as vagas das universidades estaduais à disposição dos alunos da rede pública, incentivar e ampliar os cursos ligados à área da saúde. Dando prioridade para os alunos que pretendem atender no interior para amenizar a disparidade entre a capital e interior.
Precisamos caminhar rumo a um verdadeiro sistema único de saúde, onde todos terão acesso ao mesmo atendimento. Por isso defendemos:
- Defesa do SUS público, universal, de qualidade, gratuito e 100% estatal.
- Fim da privatização e da gestão privada da saúde (OSs, fundações e PPPs).
- Proibição da transferência de leitos públicos para planos privados.
- Ampliação do investimento público em saúde, com prioridade para atenção básica.
- Cuidado com a saúde mental: Ampliação do investimento público nos CAPS, no Serviço de Residências Terapêuticas e Centros de Convivência. Nenhum investimento público em Comunidades Terapêuticas.
- Contratação via concurso público e valorização dos trabalhadores da saúde.
- Produção pública de medicamentos e insumos estratégicos.
- Expansão da rede pública de hospitais, UPAs e unidades básicas.
- Integração entre saúde e saneamento, enfrentando doenças relacionadas à falta de infraestrutura.
Saúde e Direitos Reprodutivos (Mulheres)
- Aborto legal, seguro e gratuito pelo SUS, e contra qualquer interferência das igrejas e setores reacionários.
- Educação sexual para decidir, contraceptivo para não engravidar, aborto legal e seguro para não morrer.
Saúde Especializada (LGBTI+)
- Investimento na saúde especializada para pessoas LGBTI+. Direito à terapia hormonal e à cirurgia de redesignação pelo SUS, com acompanhamento adequado. Políticas de prevenção de ISTs e tratamento para pessoas com HIV, especialmente nas periferias.
- Contra a patologização das identidades LGBTI+: não às 'curas gays'! Educação sexual nas escolas
- fim do financiamento de comunidades terapêuticas e manicômios.
Saúde das Pessoas com Deficiência
- Assistência médica, gratuita e qualidade no SUS" para as pessoas com deficiência.