Com a proximidade das eleições, as chapas ao governo de São Paulo se definem e colocam em disputa diferentes projetos.
Tarcísio de Freitas (Republicanos) busca reeleição para aprofundar seu projeto privatista e autoritário, se construindo como uma alternativa nacional do bolsonarismo e cooptou toda a direita. Por outro lado, o governo Lula aposta na candidatura de Fernando Haddad (PT) como principal nome de uma Frente Ampla que conta com o apoio de figuras Márcio França (PSB), Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede).
Nesse cenário, a pré-candidatura de Vera, do PSTU, apareceu nesta semana com 5% das intenções de voto no Datafolha. O resultado é significativo porque mostra que existe um espaço político à esquerda do governo Lula e fora da polarização entre Tarcísio e Haddad.
Não se trata ainda de uma alternativa consolidada. Mas o percentual indica que uma parcela dos trabalhadores procura uma candidatura que enfrente a extrema direita sem se subordinar aos partidos e aos setores burgueses reunidos na Frente Ampla. É esse espaço que a candidatura de Vera buscará desenvolver ao longo da campanha, combinando a disputa eleitoral com o fortalecimento das lutas e da organização independente da classe trabalhadora.
Mas essa não é a alternativa adotada por todos os setores que se reivindicam socialistas.
O PSOL, inclusive seus setores de esquerda, decidiu integrar a chapa de Haddad, França e Tebet, defendendo que a correlação de forças exige uma frente ampla para derrotar a extrema direita. Sob esse argumento, cabe quase qualquer tática eleitoral.
Frente Ampla com Haddad e setores de direita é alternativa para derrotar a Tarcísio?
O PSOL chega a esta eleição não apenas como base, mas como integrante com cargos de destaque no governo Lula. Em São Paulo, apoiam Haddad desde o primeiro turno e aceitaram compor uma chapa que reúne nomes como Márcio França e Simone Tebet. O partido que surgiu como oposição de esquerda ao PT hoje integra sem qualquer contradição a frente liderada pelos petistas e por conhecidas figuras de direita.
Haddad não é um personagem qualquer do governo do PT. Na Fazenda, foi o principal formulador do Arcabouço Fiscal, que preserva o pagamento da dívida pública e limita os investimentos sociais. Sua política expressa a opção do governo Lula por administrar o capitalismo sem enfrentar os interesses do mercado financeiro, do agronegócio e das grandes empresas. Ao preservar essas bases, não responde aos problemas da maioria da população nem enfrenta as condições que alimentam o crescimento da extrema direita.
Sua candidatura ainda reúne figuras conhecidas da direita. Márcio França integrou governos do PSDB em São Paulo, marcados por ataques aos trabalhadores e aos serviços públicos. Simone Tebet, ex-líder da bancada ruralista, defendeu revisão de gastos vinculados ao salário mínimo e aos benefícios sociais. Já Marina, apesar do discurso ambiental, integra um governo que mantém acordos com o agronegócio e avança na exploração de petróleo na Foz do Amazonas.
Essa estratégia pode até derrotar Tarcísio nas urnas, mas não altera as condições que alimentam o crescimento da extrema direita. A frente encabeçada por Haddad não rompe com os interesses dos bancos, do agronegócio e das grandes empresas; propõe administrá-los de outra forma. Quando governos que se dizem ao lado do povo preservam esses interesses, as promessas de mudança não se concretizam, cresce a frustração popular e a extrema direita encontra espaço para se apresentar como alternativa.
O apoio a Haddad é consequência do caminho trilhado pelo PSOL
Mesmo correntes como o MES, que na eleição passada ainda defenderam candidatura própria do PSOL, agora recuam e apoiam não só Haddad, como se silenciam diante da chapa majoritária com setores de direita.
Em artigo recente analisando a pesquisa Datafolha, reconhecem que chama atenção o percentual somado das candidaturas à esquerda do governo, dizem que é pouco provável que mantenham esse percentual e que o PSOL possui uma força que “poderia ter cumprido esse papel”. Mas a pergunta fica sem resposta é: por que não cumprirá? A resposta é que não podem porque não é possível ter uma política independente sendo parte da base de apoio do governo Lula, nas eleições, no parlamento e no próprio executivo.
Vera governadora: Construir uma alternativa independente para enfrentar Tarcísio
Se o desafio é construir uma alternativa capaz de enfrentar Tarcísio e mudar a vida da classe trabalhadora, não basta defender um programa mais à esquerda. É preciso romper com a lógica de administrar o capitalismo e enfrentar os interesses dos bancos, dos grandes empresários e do agronegócio.
Isso só é possível com independência de classe. Não se combate às causas da desigualdade e do avanço da extrema direita sem enfrentar também a política de conciliação de classes. Por isso, construir uma alternativa socialista exige ser oposição de esquerda ao governo Lula. Não porque ele seja igual à extrema direita, mas porque um projeto de ruptura não pode estar subordinado a um governo que administra o capitalismo em aliança com setores da burguesia.
É com esse objetivo que o PSTU apresenta a pré-candidatura de Vera Lúcia ao governo de São Paulo. Ao lado de das candidaturas ao senado de Weller Gonçalves e Eliana Ferreira e com candidaturas de trabalhadores, jovens e lutadores sociais para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados.
Essa candidatura defende a reestatização da Sabesp e dos serviços privatizados, o fim da 6x1, com redução da jornada sem redução salarial, emprego, salário, serviços públicos e uma política de segurança que enfrente a violência sem criminalizar o povo pobre e negro. Nada disso será conquistado sem enfrentar os ricos e romper com a política de conciliação de classes. Por isso, a candidatura de Vera não é apenas mais uma opção eleitoral. É um instrumento para fortalecer as lutas, organizar a classe trabalhadora e construir uma alternativa socialista independente de Tarcísio, de Haddad e dos partidos da ordem.
Queremos transformar isso em organização e força política. Chamamos trabalhadores, jovens, mulheres, negros, moradores das periferias e todos que não aceitam escolher entre a extrema direita e a Frente Ampla a se somarem à campanha, construírem comitês, divulgarem nossas propostas e ajudarem a levar a candidatura de Vera a todo o estado de São Paulo.