Estamos nos aproximando das eleições. É natural que, nesse período, ganhe força a discussão do que se convencionou chamar de “voto útil”, ou seja, um voto não no candidato que expresse ou defenda princípios ou determinado programa, mas que seja capaz de barrar outro que seria pior.
Numa eleição polarizada como a que estamos vivendo, esse sentimento pressiona parte significativa do ativismo. De um lado, Lula, mesmo com algumas medidas paliativas e insuficientes, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o Programa Desenrola, não decola como havia previsto, e elas servem como cobertura de um projeto que ataca os trabalhadores a partir de privatizações e arcabouço fiscal. De outro lado, Flávio Bolsonaro, mesmo enrolado com o escândalo do Banco Master e numa disputa fratricida no seio da própria família, está pareado nas pesquisas.
Nesse quadro, é compreensível que parte do ativismo, mesmo não nutrindo nenhuma expectativa em relação a um quarto governo Lula ou até se opondo a seu governo, queira votar no PT para que a extrema direita não volte ao poder. A própria campanha do PT explora esse medo para amarrar os votos da esquerda para além da esquerda institucional e engajar a militância.
A extrema direita representa um perigo às liberdades democráticas e, como vimos no governo Bolsonaro, não pensa duas vezes em se lançar numa ofensiva contra os direitos de trabalhadores, povos originários, quilombolas, mulheres, população LGBTI+ e todos os setores oprimidos. Assim, segundo essa linha, seria melhor garantir um governo sob o qual ao menos se possa lutar e garantir as liberdades democráticas.
Essa lógica, no entanto, parece fazer sentido no calor da campanha, mas não resiste à prova dos fatos e da história.
Governo Lula e o PT não combatem a extrema direita
O que esse argumento não explica é como, após quase dezoito anos de governos do PT, em 41 desde a redemocratização (e 37 após as eleições livres para presidente), não só vimos a extrema direita surgir, como também ganhar força e, escândalo após escândalo, ainda pairar como uma sombra ameaçando as liberdades democráticas, agora se colocando abertamente como um mero fantoche de Trump.
Ou seja, o PT governou o país mais da metade do tempo desde que passamos a votar para presidente. E se, lá atrás, prometia melhores condições de vida para o povo e a classe trabalhadora, ao escolher gerir o Estado capitalista em aliança com a burguesia e administrar o processo de decadência e retrocesso pelo qual o Brasil passou nas últimas décadas, hoje só pode se agarrar ao fantasma da extrema direita.
No período em que esteve à frente do Planalto, não garantiu nem realizou nenhuma mudança estrutural no país. No governo Lula, o encarceramento em massa da juventude negra explodiu; os servidores perderam direitos; e avançou a terceirização, a privatização e a desnacionalização de setores-chave da economia. Nesse mandato, o governo do PT implementou o arcabouço fiscal, uma amarra nos gastos públicos que simplesmente impossibilita investimentos sociais e compromete o orçamento por anos para garantir o pagamento da dívida aos banqueiros.
A realidade é que a extrema direita surgiu e ganhou força no processo de desmoralização e desgaste das instituições do regime nesses longos anos de crise. Assim, o PT e a esquerda institucional se resumem hoje a defensores do regime dos ricos, da conservação do status quo. Enquanto isso, atores como o bolsonarismo aparecem como uma ruptura com tudo o que está aí, mesmo sendo a parte mais podre desse mesmo regime e se apoiando na consciência mais atrasada e reacionária da classe e do povo.
O atual escândalo no STF é apenas uma amostra disso. Lula terceirizou o combate ao golpismo à instituição mais reacionária do regime, que é o Judiciário. O mesmo Supremo Tribunal Federal que chancelou as terceirizações e a pejotização impediu que fossem reconhecidos os direitos dos trabalhadores de plataformas. Nesse processo, associou sua imagem à de Alexandre de Moraes, cujas relações carnais com o corrupto Daniel Vorcaro vêm à tona.
Ao contrário do que a esquerda da ordem tenta nos convencer, Lula não é o “único que pode derrotar a extrema direita”. Se fosse assim, quatro anos após a vitória eleitoral em cima de Bolsonaro, teríamos avançado contra o bolsonarismo. Mas é o oposto. Mesmo com o golpista preso, a extrema direita está aí, e é assim porque não se trata de fulano ou sicrano. A ultradireita é um fenômeno estrutural, que não será varrido do mapa enquanto não mudarmos de fato as condições de vida do povo trabalhador. E isso não ocorrerá enquanto não derrotarmos a política econômica que o governo Lula impõe e revertemos o processo de decadência no qual afundamos há décadas.
Não dá para fazer sempre a mesma coisa e esperar um resultado diferente.
Vote Hertz Dias 16, com os trabalhadores contra o sistema
A candidatura de Hertz Dias e Vanessa Portugal pelo PSTU cumpre a tarefa de oferecer uma alternativa de independência de classe, revolucionária e socialista. Junto às candidaturas nos estados, está a serviço do fortalecimento de um projeto realmente contra o sistema, disputando a consciência do povo trabalhador contra alternativas de aliança com a burguesia ou autoritárias. Um projeto que quebre o círculo vicioso do “mal menor”, em que nossas vidas só pioram, a juventude se vê sem perspectiva e a extrema direita só avança.
E é exatamente por isso que o PSTU é vetado na grande imprensa, boicotado pelos grandes veículos de mídia, sem espaço na TV. Nisso, os grandes monopólios e a burguesia estão de mãos dadas: querem que você escolha quem continuará a administrar o capitalismo, seja da forma como for. Querem restringir sua alternativa entre o medo da extrema direita e a conformidade com as coisas como estão.
Por isso, fortalecer uma alternativa realmente antissistema, contra um governo de alianças com o centrão e a burguesia e a ultradireita, é a coisa mais útil que alguém que defenda outro tipo de sociedade, contra a exploração e a barbárie capitalista, pode fazer nestas eleições. Esse é também o caminho para derrotar, de uma vez por todas, a extrema direita.
Por isso, o PSTU faz um convite a você: engaje-se conosco nesse projeto. Cada voto no 16 fortalece essa alternativa!