Bolsonarismo em baixa, limites/insuficiências do governo Lula e batalha pelo fim da 6x1

Redação
Bolsonarismo em baixa, limites/insuficiências do governo Lula e batalha pelo fim da 6x1

Os bolsonaristas nunca estiveram tão em baixa. A revelação das relações espúrias de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro ajuda a desmascarar o papel real que cumprem. Ao mesmo tempo, esse tipo de escândalo escancara como o próprio mercado financeiro se sustenta não apenas na exploração e espoliação, mas também em corrupção, roubo e falcatruas legais ou ilegais.

O bolsonarismo é parte do sistema e precisamos derrotá-lo

A candidatura de Flávio pode ficar comprometida. Ainda assim, a extrema direita seguirá polarizando a realidade política. Ao contrário do que afirmam o PT e o governo Lula, ela não será derrotada apenas pelas eleições. Isso porque é produto da crise e da decadência do capitalismo, expressando um setor da burguesia com base social real, que disputa a classe média e setores dos trabalhadores com respostas reacionárias e falsas saídas fáceis. É a defensora mais raivosa do sistema capitalista, com um projeto autoritário, de barbárie social e subserviência absoluta a Donald Trump e ao imperialismo dos EUA.

Contra os ataques da direita, sem confiança no governo

Os bolsonaristas escolheram um terreno de disputa para tentar se recuperar: a batalha contra o fim da escala 6x1. O centrão, a direita e o bolsonarismo começam a se articular para impedir qualquer avanço nas conquistas dos trabalhadores e, se possível, impor novos ataques.

O discurso em defesa dos pequenos negócios é uma farsa. Serve aos grandes grupos capitalistas que controlam a economia, exploram os trabalhadores e pressionam os pequenos empreendimentos. Quem deve arcar com o fim da escala 6x1 são os grandes conglomerados que concentram a riqueza do país, enquanto os pequenos deveriam ser protegidos e apoiados com subsídios financiados pelos mesmos grandes capitalistas.

Para impedir retrocessos e conquistar direitos, os trabalhadores precisam entrar em cena com seus próprios métodos de luta: manifestações, greves e paralisações.

Ao mesmo tempo, é fundamental não depositar confiança no governo Lula, que pode, em nome de acordos com o centrão e a direita, rifar conquistas e aceitar retrocessos. Por isso, é necessário seguir exigindo a redução da jornada para 36 horas semanais. As 40 horas propostas pelo governo são insuficientes diante do nível de exploração e dos lucros da burguesia no país.

Os limites das medidas econômicas do governo Lula

Diante do relativo enfraquecimento da extrema direita, o governo Lula adota uma série de medidas que, embora possam trazer algum alívio imediato para setores da população, não atacam as raízes estruturais dos problemas. Garante, em última instância, o fluxo de recursos públicos para os capitalistas, revelando seu caráter limitado e capitalista.

O programa Desenrola 2.0 pode ser um alívio imediato para milhões de endividados. Mas destina bilhões aos bancos, sem enfrentar o problema central: as altas taxas de juros. O próprio governo nomeou a direção do Banco Central, que não muda essa política.

A justificativa de combate à inflação não se sustenta na vida real. Os trabalhadores se endividam porque os salários são baixos, e o custo de vida, especialmente dos alimentos, segue alto. A inflação baixa é uma média abstrata que não reflete o peso real no orçamento dos trabalhadores.

O governo poderia perdoar dívidas dos trabalhadores, reduzir drasticamente os juros e, se necessário, diante da reclamação dos bancos, nacionalizar o sistema bancário e implementar controle de capitais perante as ameaças do mercado financeiro, assim como enfrentar os conglomerados donos do agronegócio para se ter comida barata.

Partido dos consumidores

O PT repete a estratégia dos seus outros governos: estimular o consumo sem alterar a estrutura econômica.São cerca de R$ 190 bilhões injetados na economia para impulsionar o PIB.Pode gerar alívio momentâneo, mas quem mais se beneficia são grandes bancos e empresas, que ampliam seus lucros à custa do dinheiro público e com baixíssimas contrapartidas. E estão inseridos numa política geral do governo de privatização e entrega do país ao imperialismo e ataques aos trabalhadores.

Não é possível tirar o país do subdesenvolvimento apenas ampliando o consumo. O Brasil segue se desindustrializando, se subordinando ao imperialismo, especializado em exportação decommoditiese matérias-primas. Para garantir desenvolvimento nacional e reindustrialização, tem que enfrentar os interesses da burguesia e romper com a lógica de subordinação ao imperialismo. Mas o governo Lula permanece dentro dos estreitos limites do sistema.

O PT reduz os trabalhadores a meros consumidores, promovendo uma suposta ascensão social pelo consumo que não acontece na prática. Basta ver a crescente desigualdade social. Ao reforçar essa ideia, estas políticas acabam alimentando ideologias que a direita aproveita, como o empreendedorismo, o individualismo e o ultraliberalismo. O governo Lula, ao implementar apenas medidas eleitorais alinhadas ao sistema, não enfrenta, mas alimenta o bolsonarismo.

Luta dos estudantes e trabalhadores aponta o caminho

A intensa mobilização nas universidades paulistas, unindo estudantes e trabalhadores, fortalece uma consciência de independência de classe. Esse é o caminho que pode impor derrotas à extrema direita, barrar ataques e garantir conquistas.

O PT sempre diz que não faz mais porque falta correlação de forças. Mas no momento que há mais lutas, enfraquecimento da direita, escândalo do bolsonarismo, o que faz o governo? Vai para os EUA abraçar Trump. Não faz nada para apoiar os estudantes em greve. Pelo contrário, enfrenta ele próprio uma greve dos trabalhadores das universidades federais que finge que não existe. As entidades governistas nem sequer estão chamando mobilizações com peso pelo fim da 6x1 contra o Congresso. Seguem o equívoco de confiar na institucionalidade e na conciliação de classes.

Unidade para derrotar os ataques da extrema direita, independência para enfrentar o governo Lula

Contra os ataques da extrema direita ao fim da 6x1, a mais ampla unidade de ação é necessária, para derrotá-los nas ruas. Mas é preciso também independência de classe do movimento dos trabalhadores e da juventude. Isso significa denunciar como o governo serve à burguesia e exigir as reivindicações dos trabalhadores. Precisamos derrotar a extrema direita de verdade e também a politica econômica capitalista do governo Lula. Junto com isso, fortalecer um programa revolucionário e socialista que proponha medidas concretas para romper as engrenagens do sistema capitalista.

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