Mais de 200 ativistas de 25 países denunciam violação do direito internacional após impedimento militar na passagem de Sirte
A Caravana Terrestre Global Sumud, missão humanitária internacional organizada em solidariedade ao povo palestino, denunciou que foi bloqueada pelas forças armadas líbias nos arredores da passagem de Sirte, impedindo a continuidade da viagem rumo à Faixa de Gaza.
Composta por mais de 200 participantes de 25 países, a caravana reúne médicos, engenheiros, educadores, construtores ecológicos e ativistas internacionais que transportam ambulâncias, medicamentos e casas móveis para apoio à população palestina sitiada.
Segundo os organizadores, o movimento vinha mantendo diálogo com autoridades líbias há meses e havia recebido garantias formais de passagem segura pelo território. No entanto, ao chegar ao último ponto antes da passagem de Sirte, região que separa o oeste e o leste da Líbia, os participantes encontraram forte presença militar e tiveram a travessia impedida.
A Global Sumud informou que a caravana está acampada a cerca de nove quilômetros da passagem devido ao aumento dos riscos de segurança e ao bloqueio militar imposto no local. As negociações conduzidas pelo Crescente Vermelho líbio, que atua como mediador entre os ativistas e as autoridades, seguem paralisadas.
Em tentativa de retomar o diálogo, os participantes organizaram uma delegação para seguir até Sirte e entregar uma carta exigindo o cumprimento das garantias de salvo-conduto previamente acordadas.
Os organizadores denunciaram o que classificam como uma “demonstração de força” do Exército Nacional Líbio com o objetivo de intimidar civis desarmados que participam da missão humanitária.
“O movimento é composto por pessoas de mais de 25 países, presentes por livre e espontânea vontade: civis não violentos e desarmados de todas as origens, idades, religiões e crenças”, afirmou a organização em nota.
A Global Sumud também destacou que o bloqueio representa uma violação direta do Direito Internacional Humanitário. A entidade cita a Quarta Convenção de Genebra, que estabelece a obrigação das partes envolvidas em conflitos de permitir a livre passagem de ajuda humanitária e de pessoal civil.
“Garantias de salvo-conduto foram dadas e foram violadas. Uma força militar agora impede civis desarmados de entregar ajuda a uma população sitiada”, denuncia a organização.
A caravana integra uma série de iniciativas internacionais que denunciam o bloqueio imposto à Faixa de Gaza e buscam romper o isolamento do território palestino, submetido há meses a intensos bombardeios, fome e colapso humanitário provocados pela ofensiva israelense.