Ativistas denunciam interceptações ilegais em águas internacionais e acusam Israel de sequestrar integrantes da missão humanitária
Mais de 20 embarcações civis da Global Sumud Flotilha seguem avançando em direção à Faixa de Gaza mesmo diante de uma operação militar conduzida pela Marinha israelense em águas internacionais. Formada por ativistas de diferentes países, a missão denuncia o bloqueio imposto a Gaza e busca estabelecer um corredor humanitário em solidariedade ao povo palestino.
Pequenos veleiros, embarcações de madeira e lanchas civis enfrentam navios de guerra, corvetas fortemente armadas e embarcações rápidas das forças israelenses. Os participantes da missão afirmam que seguem desarmados e comprometidos com uma ação não violenta.
Segundo os organizadores da flotilha, a operação militar israelense já resultou na interceptação de algumas embarcações e no sequestro de ativistas.
A advogada de Direitos Humanos Ariadne Teles, coordenadora da Global Sumud Brasil; Beatriz Moreira de Oliveira, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); e Thainara Rogério, desenvolvedora de software brasileira com cidadania espanhola, estavam a bordo da embarcação Amazona, interceptada pelas forças israelenses.
De acordo com a coordenação da missão, as três foram levadas pelas forças de ocupação israelenses. Já o médico pediatra Cássio Guedes, integrante da embarcação Cabo Blanco, permanece navegando em direção a Gaza.
“A estratégia de Israel falhou”
Em comunicado divulgado pela Global Sumud Flotilha, os organizadores afirmam que as tentativas de intimidação fortaleceram a disposição política dos participantes.
“Todas as tentativas de intimidar essa missão e forçá-la à rendição fortaleceram a determinação daqueles a bordo e seu compromisso com a libertação palestina”, afirma a nota.
Ainda segundo os organizadores, para cada embarcação interceptada, outras conseguiram ultrapassar o perímetro imposto pela Marinha israelense utilizando “superioridade numérica, formação estratégica e um compromisso inabalável” para manter um corredor humanitário.
A missão considera que a presença simultânea de dezenas de embarcações civis representa um desafio político ao bloqueio imposto por Israel contra Gaza há décadas.
“O uso desproporcional da força contra pequenas embarcações civis expõe o desespero estratégico do governo Netanyahu”, afirma o comunicado.
Mobilização internacional
A flotilha também afirma que toda a operação militar israelense está sendo documentada e encaminhada para equipes jurídicas internacionais que atuam em processos criminais abertos em mais de vinte países.
Os organizadores afirmam ainda que a missão integra uma mobilização internacional mais ampla em defesa da Palestina.
“Durante dois anos e meio, milhões de pessoas se mobilizaram em todos os continentes. A flotilha reacendeu uma onda de ações diretas de solidariedade internacional e recolocou Gaza no centro da atenção da mídia mundial”, diz a nota.
Segundo os ativistas, mais de 61 mil pessoas já enviaram cartas a governos de diferentes países exigindo medidas urgentes diante das interceptações promovidas por Israel.
A Global Sumud Flotilha afirma que seguirá navegando “até que o cerco seja rompido e a Palestina seja livre”.