Enfrentar o sistema, por um Brasil socialista e soberano

Roberto Aguiar, da redação
Enfrentar o sistema, por um Brasil socialista e soberano

Roberto Aguiar e Júlio Anselmo, da redação

As propostas apresentadas pela chapa Hertz e Vanessa partem de responder às necessidades mais imediatas da classe trabalhadora brasileira, como por exemplo o fim da escala 6x1 já e o aumento geral dos salários rumo ao salário mínimo do Dieese. Na educação e na saúde, defende ampliar os investimentos capazes de universalizar serviços gratuitos e de qualidade, revertendo décadas de sucateamento. Hertz e Vanessa defendem ainda revogar as reformas trabalhista e da previdência e a garantia de direitos para trabalhadores terceirizados e de aplicativos.

No campo, sustentam a realização de uma ampla reforma agrária sob o controle dos trabalhadores e dos povos da floresta, a demarcação das terras indígenas, a titulação dos territórios quilombolas e a defesa dos povos da floresta, combatendo o avanço do agronegócio, da mineração predatória e da devastação ambiental.

Também integram o programa medidas de combate ao racismo, ao machismo, à lgbtifobia, contra o feminicídio, a violência policial e as diversas formas de opressão que atingem a maioria da população brasileira.

Por uma real soberania

Para garantir vida digna ao nosso povo e reverter séculos de desigualdade social, é preciso tirar o Brasil da decadência econômica em que se encontra, fruto de um projeto capitalista dominado por uma burguesia nacional que é subserviente aos interesses imperialistas. Não podem nem querem investir no Brasil. Promovem a espoliação aberta e voraz.

Não pode se desenvolver nem atender aos interesses dos seus trabalhadores o país que não tem soberania nacional. O Brasil sempre foi dependente dos países ricos, sendo explorado e economicamente subordinado. Por isso, para garantir as condições de vida digna para os trabalhadores e a soberania nacional contra o imperialismo, é preciso enfrentar os capitalistas.

Para garantir um processo de reindustrialização de verdade do Brasil, que atenda aos interesses dos trabalhadores, é preciso enfrentar os grandes grupos econômicos que dominam a economia nacional e lucram muito mantendo o país no atraso.

O programa começa por aplicar a reciprocidade contra o tarifaço dos EUA, mas junto com isso deve aplicar o controle de capitais, proibição da remessa de lucros para o exterior e sobretaxação de monopólios e grandes bilionários donos das maiores empresas.

Reindustrializar o país para melhorar a vida dos trabalhadores

Os setores estratégicos do país – mineração, energia, grandes conglomerados do agronegócio, siderurgia –, os quais foram construídos com dinheiro público, grande parte sendo inclusive estatal no passado, devem ser reestatizados e colocados sob controle dos trabalhadores, de modo que o excedente produzido pelos trabalhadores dessas grandes empresas seja utilizado para reindustrializar o país e melhorar a vida dos trabalhadores. Em vez de a Petrobras mandar R$ 100 bilhões para seus acionistas ou a Vale enriquecer os bilionários estadunidenses donos de suas ações, os lucros dessas empresas poderiam resolver os problemas do país e dos trabalhadores.

Junto com isso, é necessária a suspensão do pagamento da dívida pública aos grandes especuladores, nacionalizando o sistema financeiro e acabando de uma vez por todas com a política fiscal que garante a remuneração dos capitais ociosos dos grandes grupos capitalistas pelo mecanismo de espoliação que é o sistema de dívida pública.

Por um governo socialista dos trabalhadores

Tudo isso se choca contra o bolsonarismo, que defende aprofundar os ataques, o centrão no Congresso, que quer retirar mais direitos, mas também contra o próprio governo Lula, que foi quem fez o arcabouço fiscal que trava investimentos nas áreas sociais, limita o crescimento dos salários para atender aos interesses dos grandes bancos.

Por isso, Hertz e Vanessa dizem que nenhuma dessas propostas poderá ser plenamente concretizada sem enfrentar o poder econômico dos grandes grupos empresariais e construir um governo apoiado na organização independente da classe trabalhadora. Só a classe operária, por meio de sua própria luta e organização, junto ao povo pobre e oprimido, com um programa revolucionário e socialista, pode derrubar de vez esse sistema de exploração e opressão e construir um Estado socialista que garanta uma real mudança nas condições de vida da grande maioria da população.

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