Greve da USP: Vencemos, mas seguem pautas em aberto e desafios para o próximo período

Rebeldia - Juventude da Revolução Socialista
Greve da USP: Vencemos, mas seguem pautas em aberto e desafios para o próximo período
Ato unificado das estaduais em SP

Rebeldia-SP

A greve da USP se encerrou depois de 54 dias de luta dos estudantes. Esta não foi uma greve isolada, mas o estopim de um ascenso que tensionou o projeto de precarização e privatização  da educação pública de Tarcísio de Freitas e da reitoria.

Saímos deste processo com vitórias concretas: reduzimos as vagas de experiência no HC — a venda de vagas de estágio no Hospital das Clínicas —, barramos a expansão para o HU, garantimos bandejão no interior aos finais de semana, o BUSP para a Sanfran e o Quadrilátero da Saúde, avançamos na elaboração do projeto de moradia da EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo), nas cotas trans e derrotamos a tentativa de controle dos nossos espaços estudantis. Porém, é evidente que temos pautas em aberto, principalmente a nossa pauta central do aumento real do PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil), o que nos coloca o grande desafio da continuidade da luta pelas pautas de permanência estudantil.

Esta foi uma greve que nasceu em unidade com os trabalhadores, que ocupou a reitoria, levou milhares às ruas e colocou as pautas da permanência estudantil no centro do debate político paulista, ao lado das greves da Unicamp e da Unesp. Cabe, agora, fazermos uma reflexão de fundo sobre se o movimento foi vitorioso ou derrotado, se poderia ter-se conquistado mais, e qual o papel político que as direções do movimento e os diferentes sujeitos do processo cumpriram. Assim, podemos tirar conclusões coletivas e preparar os próximos passos encarando a realidade de frente e transformá-la de forma consciente. 

Das lutas pulverizadas a unificação com os trabalhadores 

Antes da greve, pipocaram lutas locais. As denúncias absurdas sobre as condições dos bandejões terceirizados na EACH, Medicina e na Sanfran — relatos de larvas, pregos e plásticos na comida se espalharam rapidamente. Junto a isso, veio a minuta que atacava os espaços estudantis e colocava em questão a autonomia das entidades para gerir seus locais de organização. 

Nesse contexto, entrou em cena a greve dos servidores que cobravam isonomia na gratificação que os docentes receberam.

Mesmo sem um preparo prévio da greve nos diferentes cursos e campi, a força da paralisação dos servidores e o crescente questionamento à reitoria abriram espaço para uma greve unificada, pelo fato de que as variadas pautas dos cursos tem um sintoma em comum, que é o processo de privatização da educação pública. Com a greve unificada em curso, o grande objetivo da reitoria foi dividir as nossas lutas.

Perguntamos: a unidade com os servidores seguiu após a saída deles da greve? Definitivamente sim. A greve unificada não existia mais, mas os servidores, especialmente sua direção, o Sintusp, não arredaram o pé do nosso lado por um momento sequer. Sobre isso você pode ler aqui, que conta com a polêmica contra o MRT/Faísca, que defendiam “greve permanente” em apoio aos estudantes. 

Acreditamos, no entanto, que teria sido importante a construção de uma plenária real dos três setores enquanto a nossa greve ainda crescia. Infelizmente, quanto às plenárias dos três setores, as duas tentativas foram mal construídas e as correntes do DCE poderiam ter dado mais peso. Portanto, acreditamos que a unidade poderia ter sido superior, mas que isso não tem nada a ver com a saída dos servidores da sua própria greve, e que aqui cabe uma autocrítica da gestão do DCE de conjunto.

Há, ainda, um aspecto que nos é caro nesse processo de greve unificada: a aliança entre trabalhadores e estudantes. Acreditamos que ele mostrou de forma categórica quem são nossos aliados. Na hora do vamos ver, não foi o Conselho Universitário, nem os parlamentares do PT ou PSOL, nem os professores de fim de carreira ou da burocracia universitária quem segurou a bucha. Os servidores técnico-administrativos, junto aos terceirizados, são quem garantem o funcionamento da universidade, sentem na pele o que é a reitoria e o governador. Acreditamos que estes são nossos aliados, e com eles formamos um bloco que apontou para a possibilidade de uma outra USP, que funcione a partir de quem a constrói. Mostra, na prática, que nossos aliados são os trabalhadores, e que só podemos confiar nas nossas próprias forças e na aliança com eles - diferente de como encaram os setores da conciliação de classes, que se aliam à empresários, bilionários etc.

Dos atos estudantis à ocupação da reitoria: o teto da greve e das negociações

A ocupação da reitoria ocorreu como resposta à decisão arbitrária da reitoria de encerrar a mesa de negociação justamente no momento em que estudantes da USP participavam de um ato unificado em frente à reitoria da UNESP, no dia 4 de maio, ao lado de estudantes das três universidades estaduais paulistas. 

Ao fechar as negociações, a reitoria divulgou sua proposta final, que continha algumas concessões parciais, mas mantinha uma postura profundamente insuficiente diante da principal reivindicação da greve: o aumento real do PAPFE. A proposta previa um reajuste de apenas R$ 27 no auxílio integral e R$ 5 no auxílio parcial, um absurdo. Diante desse cenário, a assembleia estudantil aprovou um ato em frente à reitoria que levasse a luta por nossas pautas “até as últimas consequências”.

Longe de ter surgido de forma espontânea, a ocupação foi fruto de um processo de radicalização construído através dos atos, das assembleias, dos comandos de greve e da crescente percepção de que a reitoria não responderia às reivindicações estudantis sem elevar o tom da mobilização que, nesse momento, em seu ascenso, possuía fôlego e possibilidade de seguir para a radicalização. Nesse processo, a direção do DCE teve um papel importante ao impulsionar a ocupação, ajudando a organizar suas assembleias, atividades e comissões.

A resposta da reitoria, junto a Tarcísio e à PM, foi a repressão. A desocupação ocorreu durante a madrugada do Dia das Mães, sem mandado ou qualquer aviso prévio, com cassetete, gás e corredor polonês. Ficou evidente o papel repressivo do Estado que lança mão da repressão como recurso frente à luta, o que representou não somente um ataque aos estudantes grevistas, mas à própria autonomia universitária.

Entretanto, a repressão produziu o efeito contrário ao desejado pela reitoria-governador. Em vez de enfraquecer a greve, ampliou a solidariedade num patamar superior, colocando a mídia nacional e internacional para fazer cobertura da greve e nos colocando na boca da opinião pública. 

Estadualização nas ruas e marcha contra Tarcísio (20M): auge e declínio

A marcha do dia 20 foi o maior ato da greve, e expressou a unificação das 3 estaduais nas ruas, não apenas contra a reitoria, mas também contra Tarcísio. A presença de dezenas de milhares de estudantes nas ruas demonstrou a capacidade de articulação construída ao longo do movimento e marcou o ponto mais alto da estadualização da luta.

Se, por um lado, era necessário pressionar a reitoria e organizar a luta dentro da USP, por outro era preciso apresentar à sociedade que os ataques à permanência estudantil, às condições de trabalho e à educação pública faziam parte de um projeto mais amplo, conduzido pelo governo estadual. Por isso, defendemos, enquanto parte da direção do DCE, a construção de uma grande mobilização unificada com a UNESP, a UNICAMP e os diversos setores que naquele momento também protagonizavam lutas em São Paulo, especialmente na educação.

A UP/Correnteza, inicialmente, defendia um ato só deles, baseado na autoconstrução. Nós batalhamos para que a marcha fosse ampla, unitária e capaz de reunir diferentes categorias, movimentos e correntes políticas em torno de reivindicações comuns. O resultado da unidade foi uma mobilização vitoriosa, que levou mais de 30 mil pessoas às ruas e obrigou o governo estadual a receber uma comissão dos estudantes das três universidades para apresentar suas demandas. Diante da dimensão da mobilização, não era possível simplesmente ignorar ou reprimir os manifestantes sem qualquer resposta. A negociação, em si, não serviu para conquistar nenhuma pauta; mas serviu, muito, para a disputa da opinião pública e demonstrar que intransigentes são o reitor e o governador, para disputar a opinião pública, e por isso achamos que foi correta e vitoriosa. 

A briga do Rebeldia pela unificação com as universidades federais

Para nós, a estadualização da luta deveria apontar para uma tarefa ainda mais ampla: a sua nacionalização. Mais de 50 federais vivem processos de greve dos técnicos administrativos, que denunciam os cortes orçamentários, a precarização das condições de trabalho e os efeitos da política de ajuste fiscal do governo Lula. Os estudantes também sofrem diretamente as consequências desse cenário: falta de moradia estudantil, insuficiência das bolsas permanência, carência de professores e deterioração das condições de ensino. Ou seja, pautas parecidas com as nossas, que poderiam ganhar força com a unificação entre estaduais e federais.

O problema é que as direções majoritárias do movimento estudantil – a majoritária da UNE — UJS,  JPT e Revide (ex- Afronte e Rua) – se recusam a impulsionar uma mobilização nacional consequente porque não querem enfrentar a política do Arcabouço Fiscal do governo Lula, por serem ou parte do governo ou sua base de apoio. O combate à extrema direita, contudo, não será feito freando as lutas. Nós do Rebeldia, compreendemos que, para derrotar a extrema direita, é preciso apostar na mobilização e ser oposição de esquerda ao governo Lula, que fortalece o bolso de banqueiros, empresários e um projeto capitalista de país e de educação. Por outro lado, as correntes do DCE da USP (Correnteza, Juntos! e PCBR) também não apostaram na nacionalização. Infelizmente, o nosso DCE, que compõem o campo da Oposição de Esquerda da UNE, se furtou de disputar os rumos do movimento estudantil nacional e enfrentar, pela base, os governistas. Isso acontece porque em maior ou menor grau apoiam, ou se “omitem de criticar” o governo, o que consideramos um erro e que impede de defendermos os interesses dos estudantes e a necessidade de superar a conciliação de classes.

O 20M representou o auge da mobilização, mas também marcou o início de uma nova etapa, em que os desafios para sustentar e aprofundar a luta se tornaram cada vez mais evidentes Por isso, queremos explicitar o que são fatores que dependeram da direção política do processo, da política das correntes do DCE e da oposição, sem recair em oportunismos ou caricaturas. 

Dispersão, saídas isoladas e erros e acertos da política do DCE

A negociação com a reitoria e os limites da mediação

Depois da construção do 20M, os estudantes retornaram ao processo de negociação com a reitoria. Já a reitoria contratou uma equipe especialista em mediação de conflitos para restabelecer a negociação, o que escancarou sua incapacidade. Os principais eixos eram o aumento do PAPFE e a garantia de não retaliação aos estudantes que participaram da greve e da ocupação. 

As negociações foram retomadas formalmente. A reitoria manteve as mesmas propostas apresentadas anteriormente, sem qualquer disposição para negociar seriamente. O processo chegou ao ponto de a própria mediação ser encerrada, com o abandono dos mediadores da mesa, diante da ausência de novas propostas por parte da reitoria. 

Nós, do Rebeldia, percebemos, nesse período, uma diminuição qualitativa da participação estudantil. Essa inflexão estava diretamente relacionada à postura da reitoria, que se recusava a apresentar uma negociação real. Essa situação abriu uma contradição importante: ao mesmo tempo em que a universidade não cedia, diversos cursos passaram a encerrar suas greves de forma dispersa.

Diante desse cenário, defendemos a realização de mobilizações que permitissem medir a participação da base estudantil e avaliar os limites e as possibilidades de continuidade da greve. A baixa participação no trancaço, na plenária de organização do ato-festival e no ato em frente ao Conselho Universitário demonstrou que a principal discussão já não era apenas como avançar, mas também em que condições a greve poderia continuar.

O papel do DCE e os desafios da direção do movimento

Consideramos que o papel desempenhado pelo DCE foi fundamental para a condução da greve, especialmente quando comparado a experiências anteriores, como em 2023, que você pode conferir nosso balanço aqui. Ao mesmo tempo, acreditamos que um balanço sério exige apontar também os erros cometidos.

Frente a intransigência da reitoria e a extensão do tempo de greve, tornou-se cada vez mais necessária uma orientação política clara para o conjunto dos estudantes. Era preciso reconhecer que a greve já não contava com a presença dos estudantes na universidade. No entanto, esse debate foi frequentemente adiado na gestão. A ausência de uma política nítida do DCE, e um calendário de atividades de greve construído com o comando de greve e os CA's, contribuiu para que diversos cursos passassem a tomar decisões de forma isolada, enfraquecendo a coordenação geral da greve e ampliando sua fragmentação.

A democracia de base como princípio para o desenvolvimento da greve

Nós acreditamos no princípio da democracia de base: isso significa confiar nos estudantes e ter como eixo as assembleias, espaços de base e que, com os estudantes tudo, sem eles, nada. Por isso, fazemos algumas avaliações: achamos que teria sido importante ter mais comandos de greve gerais da USP. Embora isso não revertesse automaticamente o processo de enfraquecimento, permitiria avaliar melhor a situação dos cursos, construir uma leitura coletiva do movimento e explicar de forma mais ampla o papel da greve como uma das ferramentas da luta estudantil. Também consideramos um erro a desmarcação da assembleia do dia 2 de junho, que nós votamos contra no interior da gestão do DCE. Em nossa avaliação, houve receio por parte dos setores majoritários da direção do DCE (nesse caso, UJC e Correnteza) em apresentar aos estudantes o cenário real da greve: uma mobilização que perdia força e exigia a discussão de novos caminhos de luta. Por outro lado, as demais forças da gestão não apostaram no comando de greve como espaço privilegiado para decidir os rumos da greve, buscando dirigir a partir apenas do DCE. 

Discordamos dessa postura porque confiamos na capacidade da base estudantil de compreender a realidade e participar conscientemente das decisões do movimento. Nossa batalha é por apresentar nossa posição e defendê-la politicamente, mas ao mesmo tempo escutá-la e aplicar a política votada pela maioria. Reconhecer o enfraquecimento da greve não significava “acabar com a greve” em um teor conspiracionista, ocultando as posições que cada um tem, mas discutir seriamente as condições concretas de sua continuidade. A auto-organização estudantil, os comandos locais, as atividades nos cursos etc., são justamente um dos principais saldos positivos da greve. Da nossa parte, nos auto-criticamos por não termos feito um estardalhaço maior, público, pela convocação de mais comandos, o que consideramos um dos nossos erros durante a greve. Mas, definitivamente, não foi isso que fez a greve minguar. 

A política de correntes como o Faísca/MRT e SOB/Já Basta foi atribuir a responsabilidade unicamente ao DCE, ignorando a realidade e a dinâmica objetiva da greve. Não temos qualquer problema em apontar os limites do DCE: a não realização de mais comandos de greve, a desmarcação da assembleia e as dificuldades em apresentar uma resposta rápida quando identificamos o processo de descenso da greve. Essas questões são, sim, responsabilidade da direção, e fazemos um balanço crítico delas. 

Isso não significa, no entanto, que tudo dependia do DCE. A dinâmica de uma greve não depende somente da vontade da direção ou de qualquer corrente política, mas da relação de forças construída coletivamente. E não dependia do DCE – mesmo dos setores que criticamos porque não foram consequentes para conseguirmos coesionar a gestão e chamar comando de greve e defenderam desmarcar a assembleia – que os estudantes não estavam mais participando. A dinâmica de saída de greve e dispersão impedia por si a continuidade de uma “greve permanente”. A greve é um meio para conquistar nossas pautas. Se esse meio já não funciona, não tem adesão da base dos estudantes, ele perde sua utilidade para alcançar nossas pautas. Insistir na continuidade da greve pela greve, como se alguns gatos pingados fossem assegurar a não retaliação, é puro idealismo, é colocar a vontade acima da realidade.

A intervenção da Faísca e do Já basta acaba se orientando mais pela demarcação política e pela autoconstrução de suas organizações, desconsiderando os elementos contraditórios do processo, sendo totalmente irresponsáveis em relação ao movimento.

Os debates sobre os rumos da luta: a greve poderia ter conquistado mais?

Na nossa opinião, a greve já não tinha mais força para conquistar as bolsas PAPFE ou um acordo de não retaliação melhor, e isso se deve ao esgotamento da própria greve enquanto método de luta.

No dia da assembleia que debateu os rumos da greve e aprovou seu fim, o MEPR (coletivo Marimbondo na EACH) realizou uma ocupação dos blocos da PRIP (Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento) sem diálogo prévio com o movimento estudantil organizado. Essa proposta já havia sido rejeitada em assembleias anteriormente. Nossa posição não parte de uma rejeição às ocupações como método de luta. Pelo contrário: os estudantes protagonizaram uma importante ocupação da reitoria. O debate era sobre qual ferramenta utilizar em cada momento da luta e quais ações possuíam condições concretas de ampliar a mobilização estudantil. A ocupação ocorreu apenas com os militantes do MEPR, enquanto os estudantes estavam em assembleia geral (!). Rechaçamos integralmente a violência policial contra o MEPR. No entanto, também consideramos que iniciativas realizadas à margem das deliberações coletivas fragilizam o movimento, nos queimam frente à disputa da opinião pública e abrem espaço para a repressão.

Apesar das dificuldades enfrentadas na etapa final, a construção de uma saída unificada permitiu preservar parte importante do acúmulo político produzido pela greve. Defendemos o encerramento unificado porque entendemos que a continuidade isolada de alguns cursos, enquanto outros já encerravam a paralisação, abriria espaço para maior repressão e retaliação por parte da reitoria. Se iniciamos a greve juntos, era necessário buscar também uma saída coletiva e politizada, ao invés de exaustão de poucos cursos até a desmoralização.

A avaliação é de que a greve conquistou demandas fundamentais, ainda que com pautas importantes em aberto, e deixou um saldo político muito importante para o movimento estudantil paulista. Isso não significa que todas as reivindicações foram atendidas. Ainda há importantes demandas em aberto e a necessidade de avançar em sua concretização. O tema do PAPFE foi um dos principais elementos de unificação da greve, mas outras pautas seguem exigindo mobilização permanente. A implementação efetiva das cotas para pessoas trans, por exemplo, demandará luta não apenas do movimento trans, mas do conjunto dos estudantes. O mesmo vale para a pauta das pessoas com deficiência (PCDs), historicamente negligenciada pela USP, que segue distante de garantir condições adequadas de inclusão e permanência.

O encerramento da greve dos estudantes não representou o fim da luta estudantil, mas a abertura de uma nova etapa, marcada pela disputa dos balanços políticos do processo e pela construção das próximas campanhas e mobilizações. As conquistas, os limites e as contradições desta greve devem servir como aprendizado para os enfrentamentos que virão.

Por isso, para os próximos passos, defendemos:

  • Transformar os comandos locais de greve em comandos de mobilização e desenvolver estes espaços como ponta de lança para lutarmos pelas pautas pendentes;
  • Que o DCE organize junto aos CAs e estudantes, a partir de espaços abertos e bem divulgados, uma campanha política com eixos no: Fora Aluísio e contra as punições!
  • A luta pelo aumento do PAPFE e pelas cotas trans segue! Organizar um calendário unificado, construído pela base, para conquistarmos o que está pendente e efetivar o conquistado!

Participe do nosso recrutamento e organize seu ódio de classe no Rebeldia! 

Por fim, nós do Rebeldia compreendemos que a greve da USP nos deixa um legado de luta importante, mas que, para além da greve, é preciso seguir nossas intervenções para o desenvolvimento do movimento estudantil. Os princípios que orientam nossa atuação e que são indispensáveis para um ME capaz de arrancar vitórias para os estudantes, ao lado da classe trabalhadora, são: a) Independência de classe: Aqueles que estão ao lado dos banqueiros, bilionários, empresários e defensores da privatização e do desmonte da educação pública não podem ser considerados aliados dos estudantes. Isso inclui os governos, a extrema direita representada por Tarcísio em São Paulo e a política nacional de privatização da educação do governo Lula, que coloca o bilionário Jorge Paulo Lemann no MEC; b) Democracia operária: Quem decide os rumos do movimento são os próprios estudantes; c) Aliança operário-estudantil: O princípio da unidade com os trabalhadores foi fundamental para compreender a importância das mobilizações de funcionários e professores durante a greve; d) Combate a todas as formas de opressão: O machismo, o racismo, a LGBTfobia, o capacitismo e a xenofobia atingem setores da classe trabalhadora que já enfrentam condições mais difíceis dentro da universidade. Nesse processo, foram recorrentes desrespeitos à mesa de condução política, interrupções, deslegitimação, sobretudo com companheiras mulheres, o que nós acreditamos que precisam ser práticas abolidas do movimento para que possamos avançar. 

Os estudantes podem intervir para mudar os rumos da história. É esse movimento estudantil que defendemos, em oposição aos setores que atuam como linha auxiliar do governo federal e dizem que não pode haver oposição de esquerda nem à UNE nem ao Lula em nome da unidade (PT, UJS/PCdoB e Revide). Nesse sentido, colocamos a necessidade da construção de uma alternativa verdadeiramente revolucionária pro ME. O papel da Oposição de Esquerda da UNE é fundamental, no entanto, somente quando apostamos nós estudantes podemos vencer, por isso fazemos as críticas as diferentes organizações que não tem como inegociável a democracia de base. 

A greve da USP ajudou a formar uma nova geração de lutadores que confia na sua própria força, sem depositar confiança nas reitorias ou nos governos. Nossa tarefa é contribuir para formar uma geração que lute por uma sociedade governada pelos trabalhadores, contra o capitalismo e toda forma de exploração. O Rebeldia se coloca à disposição dessa batalha e te convidamos a participar do nosso processo de recrutamento

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