Cristiano Florêncio, de Itapema (SC)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, principal expoente do imperialismo dominante no planeta, inaugurou uma nova etapa da ofensiva imperialista com a política de “América para os americanos”, ou melhor, para os norte-americanos, além do projeto Shield of the Americas (Escudo das Américas) e da implementação de tarifas comerciais que atingem ainda mais os países dependentes, como o Brasil.
De acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC),organização patronal-burguesa, o segundo tarifaço de Trump tem prejudicado Santa Catarina acima da média nacional.
Entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, os efeitos práticos dessa política reduziram em 38,29% as exportações catarinenses para os Estados Unidos, que caíram de uma média mensal de US$ 141 milhões para US$ 87 milhões.
A aplicação desse novo tarifaço de 25% (sob a Seção 301) deve consolidar uma retração de cerca de 40% nas exportações para os Estados Unidos.
A análise da Federação destaca ainda que 518 produtos catarinenses exportados aos EUA perderão competitividade em relação aos concorrentes de outros países. Enquanto, no Brasil, as exportações afetadas pelas tarifas recuam de cerca de 33% para 25%, em Santa Catarina a retração chega a 56%. Essa disparidade evidencia que a perda de competitividade da indústria catarinense será muito mais profunda.
No primeiro tarifaço, cerca de 7,6 mil vagas de trabalho deixaram de ser abertas. Agora, as projeções da indústria apontam que essa segunda rodada de tarifas poderá eliminar aproximadamente 25 mil postos de trabalho no próximo ano. Isso significa 25 mil famílias — ou quase 100 mil pessoas — impactadas diretamente, sem contar os efeitos indiretos sobre a economia.
Por que é tão importante falar sobre o impacto do imperialismo estadunidense na realidade de Santa Catarina? Por um motivo simples: os catarinenses precisam compreender que Trump, a extrema direita e seus representantes em Santa Catarina não são aliados dos trabalhadores. Seus interesses estão voltados para ampliar ainda mais os lucros às custas do trabalho e do suor do povo catarinense.
A Divisão Internacional do Trabalho tem empurrado o Brasil ladeira abaixo em produtividade e geração de riquezas. O imperialismo impõe ao país o papel de mero exportador de commodities, enquanto reserva para os países ricos a produção de bens de alto valor agregado e o domínio das novas tecnologias. Esse processo aprofunda a desindustrialização brasileira.
Santa Catarina ainda preserva um importante parque industrial, com um dos menores índices de desemprego do país e uma economia diversificada, incluindo setores estratégicos, como tecnologia da informação, metalurgia, eletroeletrônicos, indústria têxtil e cerâmica.
Entretanto, essa sensação de um estado em desenvolvimento, capaz de manter oportunidades de emprego, tem prazo de validade se não rompermos com a dependência imposta pelo imperialismo.
Não podemos continuar dependentes dos países imperialistas para ter acesso às novas tecnologias, explorar minerais estratégicos, desenvolver inteligência artificial ou produzir novas fontes de energia.
Precisamos inverter a lógica da produção, fortalecer o mercado interno, ampliar os investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia, desenvolver e automatizar a indústria catarinense e disputar, em melhores condições, a produção de mercadorias de maior valor agregado.
Mas isso é impossível com uma burguesia subordinada ao imperialismo, que atua como parceira dos interesses estrangeiros em detrimento das necessidades do povo brasileiro.
São os trabalhadores e todos os setores oprimidos de Santa Catarina e do Brasil que precisam se organizar, levantar-se e lutar para romper com as engrenagens do sistema capitalista, rumo a uma sociedade socialista, controlada pela classe trabalhadora e colocada a serviço dos trabalhadores e de todos os explorados e oprimidos.