A recente impugnação da candidatura de José Roberto Arruda pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ostentava cerca de 20% das intenções de voto, desencadeou uma verdadeira corrida entre os concorrentes ao Governo do Distrito Federal para herdar o seu eleitorado — e o PT não ficou de fora.
Nos últimos dias, Leandro Grass e a direção do PT-DF vêm fazendo acenos diretos a Arruda no afã de derrotar Celina Leão a qualquer custo. O problema é que a memória política parece ser curta: Arruda não é apenas o ex-governador que implementou um plano neoliberal marcado por truculência contra o movimento sindical — negando-se até a receber a comissão dos professores em greve no ano de 2009 —, mas o protagonista do infame escândalo da Caixa de Pandora. Acumulando seis condenações por improbidade administrativa, ligado visceralmente ao bolsonarismo (sua ex-esposa, Flávia Arruda, foi ministra de Bolsonaro e esteve na base do próprio governo Ibaneis/Celina) e abrigado no PSD apenas porque o PL preferiu fechar com Celina. Arruda é das figuras mais manchadas da história política do DF.
Vale tudo para derrotar Celina Leão, inclusive abraçar o que há de mais corrupto na extrema direita local?
A tentativa de normalizar uma aproximação com Arruda ignora o papel central que ele cumpriu no fortalecimento da própria extrema direita no Distrito Federal. Durante a campanha, Arruda dividiu reiteradamente o palanque com Michelle Bolsonaro, que chegou a declarar publicamente o seu desejo de vê-lo como candidato a deputado federal pelo PL. Como é possível que organizações que se reivindicam de esquerda, em defesa dos trabalhadores e de combate à extrema direita, procurem diálogo ou aliança com uma figura como Arruda? A justificativa dada por Leandro Grass e pela direção do PT-DF — de que haveria "pontos de convergência" entre as propostas — escancara o pragmatismo sem princípios praticado por PT e Leandro Grass.
Esse aceno é a demonstração mais cabal dos limites e contradições da política de conciliação de classes praticada pelo PT, tanto no âmbito nacional quanto no Distrito Federal. Em vez de travar um debate aberto com a classe trabalhadora, expondo que Arruda é um inimigo histórico dos serviços públicos e peça-chave no bloco de articulação da extrema direita, a candidatura de Leandro Grass prefere buscar o atalho eleitoralista. Negociar acordos programáticos e governabilidade com quem representa o que há de mais reacionário na política não é a forma de derrotar a extrema direita; é, na prática, legitimá-la e fortalecê-la.
Para o PSTU, a premissa de que "vale tudo" para derrotar o grupo de Celina Leão e Ibaneis Rocha é um erro trágico. A verdadeira alternativa para os trabalhadores não passa por conchavos ou por concessões aos representantes dos grandes empresários. A única forma consistente de combater a extrema direita e o projeto privatista que governa o DF é construindo um programa próprio da classe trabalhadora, que aposte na mobilização, na auto-organização popular e na ruptura com o sistema capitalista. Isso exige enfrentar as isenções fiscais bilionárias que favorecem grandes grupos econômicos, estatizar os serviços essenciais e construir uma alternativa independente e socialista para Brasília.
Voto útil é aquele que fortalece a mobilização e auto-organização dos trabalhadores
Para nós, não vale tudo para derrotar Celina Leão, muito menos fortalecer figuras condenadas por corrupção e ligadas à extrema direita. A única alternativa real para combater a extrema direita é construir um projeto próprio da classe trabalhadora, que alavanque a auto-organização, a mobilização de rua e a ruptura total com o sistema capitalista. No DF, isso significa enfrentar abertamente os partidos dos grandes empresários, acabar com as isenções fiscais bilionárias que enriquecem o empresariado local às custas dos cofres públicos e colocar o orçamento do Estado sob controle direto dos trabalhadores através de conselhos populares.
Por isso, fazemos um chamado ao conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras do Distrito Federal a construir, junto com o PSTU, uma alternativa independente dos grandes empresários para enfrentar de fato os problemas sociais que massacram a nossa população. O verdadeiro voto útil não é aquele que se rebaixa ao pragmatismo eleitoralista, mas o que ajuda a classe trabalhadora a dar passos no avanço da sua consciência e da sua organização — compreendendo claramente quem são seus inimigos e que não há aliança com patrões ou reacionários capaz de beneficiar a classe trabalhadora. Qualquer conciliação com os grandes empresários e a extrema-direita serve apenas para garantir o lucro, a pilhagem do Estado e a submissão do país ao imperialismo.
Convocamos a população do Distrito Federal a romper com essa falsa polarização, que não apresenta soluções reais nem ataca as causas estruturais da degradação do transporte público, da saúde, da educação e da assistência social. Fortalecer as candidaturas do PSTU nestas eleições é dar um passo decisivo na construção de uma organização política independente e socialista para a classe trabalhadora.