O Sindipetro-RJ (Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro) denunciou a tentativa da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) de intimidar e silenciar organizações sindicais e movimentos sociais que se posicionam contra a volta da extrema direita ao governo federal. O petroleiro Eduardo Henrique, diretor da entidade e da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), está entre os cerca de 60 dirigentes sindicais, estudantis e de movimentos sociais processados pela campanha do candidato de extrema direita.
O sindicato também foi intimado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a prestar esclarecimentos sobre suas atividades recentes. A ação do PL acusa as organizações de abuso do poder econômico e político e uso indevido dos meios de comunicação.
Em vídeo nas redes do sindicato, Eduardo afirma que as entidades sindicais têm a obrigação de alertar os trabalhadores sobre os riscos de um projeto político baseado na violência, nas privatizações, na precarização dos contratos e na destruição de empregos. Para o dirigente, tentar impedir essas manifestações é atacar a liberdade de expressão e o direito da população de conhecer as propostas dos candidatos.
Segundo o dirigente, a categoria tem um histórico de enfrentamento aos ataques aos direitos trabalhistas e não aceitará ser silenciada. “Não à toa querem calar os petroleiros, uma categoria que protagonizou recentemente uma forte luta por direitos com uma forte greve em 2025; na greve de 2020 sob o governo Bolsonaro, na greve de 1995 sob o governo Fernando Henrique; e faz parte da história do movimento sindical desse país, inclusive desde a luta pela criação do 13º”, destacou.
O dirigente reafirmou ainda o compromisso da FNP e do Sindipetro-RJ com a defesa da democracia, da liberdade de opinião e da independência de classe diante de governos, patrões e candidatos.
Projeto da extrema direita é de repressão e censura
Diante da perseguição, a CSP-Conlutas manifesta toda solidariedade e apoio ao Sindipetro-RJ, à FNP, a Eduardo Henrique e às demais entidades e lideranças atingidas. Repudiamos a ofensiva autoritária e reafirmamos o direito dos sindicatos de informar os trabalhadores, denunciar candidaturas e participar da luta política com independência de classe.
O caso se soma a outras iniciativas da campanha bolsonarista para censurar manifestações críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro.
O presidente do TSE ministro Kássio Nunes Marques determinou a suspensão da circulação de um jornal do Sindipetro Unificado, de São Paulo, que denunciava as propostas de privatização defendidas por Flávio. O Fonasefe também foi obrigado a retirar publicações críticas às propostas de reformas neoliberais e aos ataques aos serviços públicos.
A campanha ainda acionou a Justiça Eleitoral para pedir a retirada de 221 publicações e a suspensão de 32 perfis no Instagram, incluindo os de parlamentares, da CUT, da Mídia Ninja e do coletivo 342 Artes.
A ofensiva expõe o caráter autoritário do bolsonarismo, cuja trajetória inclui a defesa da ditadura militar, da tortura e a tentativa de golpe de 2023. Agora, busca restringir a circulação de críticas e impedir que os trabalhadores conheçam os projetos que ameaçam seus direitos.
Ditadura nunca mais!
A CSP-Conlutas ressalta que os sindicatos têm o direito de intervir na disputa política. Enquanto empresários e setores da burguesia exercem influência sobre governos e eleições, as organizações dos trabalhadores enfrentam restrições para defender seus interesses de classe.
Neste segundo turno, a central chama ao voto crítico no 13 para derrotar Flávio Bolsonaro e a extrema direita, sem qualquer apoio político ao governo Lula. A independência de classe exige combater os ataques aos trabalhadores, venham de onde vierem, e não se calar diante da ameaça autoritária.
Censura nunca mais! Toda solidariedade às entidades e lideranças perseguidas. Defender a liberdade de expressão e organização é defender o direito dos trabalhadores de lutar por seus direitos.