Enquanto fechávamos esta edição, Lula e seu vice Geraldo Alckmin, recebiam o topo da burguesia brasileira num luxuoso jantar num hotel da capital paulista. Entre os convidados estavam André Esteves, do banco BTG Pactual, além de representante do Santander e Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco. Trabuco é o nome exigido pelo mercado para o cargo de ministro da Fazenda numa eventual nova gestão do PT.
Para quem não se lembra, Trabuco foi o nome escolhido pela então presidente Dilma para conduzir a economia do país num cenário de crise. O banqueiro não quis e indicou Joaquim Levy, responsável pelo maior ajuste fiscal da história que jogou o Brasil na pior recessão do país, entre 2014 e 2016, anos em que o PIB teve uma retração de 7%. Número de um país em guerra. Na verdade foi uma guerra, mas contra os pobres, que sofreram com desemprego em massa, queda na renda e ataques aos direitos. Trabuco acabou não vindo, mas o tiro foi dado.
Mas a lista de ilustres convidados vai além, e contempla Benjamin Steinbruch da CSN, Gustavo Pimenta da Vale, e Blairo Maggi, o maior produtor de soja do Brasil. São 150 nomes que representam quem manda no país de fato, dos banqueiros, aos grandes monopólios que dominam o agronegócio, a mineração, a indústria de alimentos como a JBS, entre outros setores. O encontro foi articulado para aproximar o governo Lula dos representantes do capital a nove dias das eleições.
Compromisso com a burguesia, o retrocesso e a entrega do país
Entre os canapés e o champagne, o que está colocado sobre a mesa do jantar? Não é o fim da Escala 6x1, que o governo Lula retirou a urgência a pedido de Alcolumbre e do centrão, e agora mofa na gaveta do Senado. É justamente a pauta que seu atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, escreveu em artigo publicado no mesmo dia na prestigiada revista britânica The Economist: o compromisso do governo em aprofundar o arcabouço fiscal, o teto de gastos elaborado pela equipe econômica de Lula para restringir os investimentos públicos para fazer superávit (em outras palavras desviar dinheiro público das escolas e hospitais para garantir o pagamento dos juros da dívida).
Em frente às câmeras, Lula discursa contra a pobreza e a desigualdade social. Sob os holofotes da ONU, defende a soberania e ataca qualquer ingerência estrangeira nas eleições. Mas nos bastidores, se reúne com os setores para os quais decidiu governar. São os mesmos setores burgueses que pediram para que não houvesse retaliação ao tarifaço de Trump, pois está em seu DNA a mais vil subordinação ao imperialismo, da qual se mantém e ainda lucram.
A campanha de Hertz Dias e Vanessa Portugal, do PSTU, viajou pelo país, conversou com os trabalhadores e levou um programa da classe trabalhadora para reverter o retrocesso colonial pelo qual passa o Brasil. No centro desse programa está a necessidade de os trabalhadores tomarem em suas mãos os setores chaves de nossa economia, como o setor financeiro, o grande agronegócio e a mineração. Isso porque a única forma de reindustrializar o país, a fim de atender as necessidades da população, é utilizar as riquezas produzidas aqui para financiar um projeto que garanta uma real soberania e supere nossa subordinação.
Isso significa atacar os interesses daqueles que estão na mesa com Lula. Para eles, interessa que o Brasil seja cada vez mais mero exportador de produtos primários para o mercado internacional. Não querem saber de soberania, mas de dinheiro no bolso. Com isso, o Brasil fica cada vez mais dependente, pobre, e, inclusive, à mercê das ameaças do imperialismo e de seus agentes aqui, o bolsonarismo.
Bolsonarismo quer entregar o Brasil de bandeja a Trump
O projeto do bolsonarismo é declarado: entregar o país de bandeja ao imperialismo norte-americano, como ficou demonstrado na carta do Secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, em que "agradece" o oferecimento de uma equipe de transição direta numa eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Um projeto entreguista que vem acompanhado de ataques aos direitos sociais e a completa desregulamentação trabalhista. O bolsonarismo quer voltar ao poder para continuar passando a boiada, destruindo o meio ambiente, atacando os povos originários, mulheres, negros e LGBTI's.
Mesmo atolado em escândalos de corrupção com Daniel Vorcaro e o Banco Master, que a cada dia aparece um novo vôo de jatinho, festas heterodoxas e contratos milionários, a candidatura de Flávio Bolsonaro continua pareada com Lula. E isso ocorre, principalmente, porque o bolsonarismo se mantém na rejeição ao governo. Lula prometeu picanha, entregou inflação, trabalho precário e superexploração. O projeto do PT faliu, tanto que a única coisa que se seguram nesta campanha é o medo da volta da extrema direita. A população olha pra isso e grande parte se pergunta: qual a diferença?
Voto útil é no 16
Se é verdade que Lula e Bolsonaro não são a mesma coisa, é verdade que ambos conduzem o país de maneira diferente ao mesmo caminho: o da degradação social e econômica e de subserviência cada vez maior ao imperialismo. Diante disso, a única saída para a classe trabalhadora é superar esse eterno círculo vicioso, construindo e fortalecendo uma alternativa realmente antissistema, revolucionária e socialista.
Votar 16 nestas eleições não é "jogar o voto fora", mas, ao contrário, cada voto significa fortalecer, dar visibilidade a um programa que coloca a necessidade da expropriação dos grandes monopólios capitalistas que dominam nossa economia. De estatizar, sob controle dos trabalhadores, as principais empresas, como a Vale, a CSN, a Petrobras 100%, colocando-as a serviço de um projeto de desenvolvimento nacional de acordo com os interesses da classe, e não de meia dúzia de grandes investidores que vivem de embolsar dividendos bilionários.
Cada voto no 16 nestas eleições ajuda a disputar a consciência da classe trabalhadora e da população em torno a um projeto de um Brasil soberano e socialista. Vamos virar a mesa do banquete dos poderosos.