Com fuga e carta golpista, Flávio Bolsonaro tira a máscara de moderado e mostra sua real face autoritária

Redação
Com fuga e carta golpista, Flávio Bolsonaro tira a máscara de moderado e mostra sua real face autoritária
O ex-candidato e atual fugitivo, Flávio Bolsonaro, chega a Miami Reprodução

Se a virada eleitoral possibilitada pelo verdadeiro ascenso de massas nas últimas semanas foi surpreendente, o mesmo não se pode dizer da reação de Flávio Bolsonaro assim que viu sua própria derrota. 

Primeiro, recusou-se a aceitar o resultado das urnas e, repetindo seu pai, acusou uma fraude inexistente. Um dia depois, horas após a decisão de apreensão de seu passaporte, aventurou-se numa fuga digna de filme de gângster. Com os detalhes só vindo à tona na noite desta quarta-feira, 28, fica evidente a articulação direta envolvendo o governo Milei e Trump. Só um desavisado, porém, ficaria surpreso com essa fuga, já que o próprio irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, auto exilado nos EUA, o havia aconselhado a se mandar caso perdesse as eleições.

Na verdade, nem precisaria de uma investigação muito profunda, já que o próprio Flávio Bolsonaro fez questão de agradecer o presidente norte-americano e seu capacho argentino. A carta golpista que acabou virando meme contou com quatro versões, sendo que, na primeira delas, Flávio se autodeclara "presidente eleito" e se compara ao famigerado Juan Guaidó, o opositor de direita do então regime Maduro e que, reconhecido pelo primeiro governo Trump e seus aliados (Jair Bolsonaro incluso), passeou pelo mundo como presidente virtual de um governo interino que só existia na sua cabeça.

A realidade é que Flávio Bolsonaro fugiu como um covarde sabendo que seria difícil escapar da montanha de provas e evidências de suas relações espúrias com o banqueiro Daniel Vorcaro, assim como demais denúncias que se avolumam desde as rachadinhas cujas investigações seu pai brecou quando presidente. Não só isso, Flávio Bolsonaro finalmente tira sua máscara de "moderado", vendido, aliás, por grande parte da imprensa e da burguesia durante a campanha eleitoral, e revela sua verdadeira cara: um corrupto, entreguista e ainda autoritário.

Agente do imperialismo

Por trás das piadas e dos memes, há questões bem sérias. Foi uma interferência direta dos EUA no país, acolhendo e ajudando a evasão de um bandido. Mostra como o Brasil está vulnerável às ações do imperialismo norte-americano. Com uma fuga praticamente anunciada, não houve vigília, rastreamento nem qualquer outra medida por parte da Polícia Federal. Ou pior, se houve, trata-se de cumplicidade ou, não menos grave, omissão.

Donald Trump, por sua vez, deu declarações dúbias à imprensa. Reconheceu que receberia Flávio Bolsonaro, elogiou Jair Bolsonaro, disse "gostar" de Lula, mas que as eleições foram "estranhas". Sabe-se que Trump não tem amigos do lado de cá da linha do Equador, tem capachos que despreza e que pode usar ou descartar a seu bel prazer. Não seria surpresa que mantenha os irmãos golpistas no bolso a fim de justificar novos tarifaços ou sanções contra o Brasil no futuro.

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Hipocrisia da extrema direita

Por fim, o caso patético revela o caráter hipócrita da extrema direita. O coordenador de campanha do PL, Rogério Marinho, fez questão de reconhecer o resultado das eleições. Claro, elegeu uma bancada que vai render bilhões de fundo partidário ao PL do mensaleiro Valdemar da Costa Neto. O mesmo fez o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que já está em pleno aquecimento para a campanha de 2030. Mas, dependente ainda da base bolsonarista, contemporizou e disse "entender" Flávio Bolsonaro.

Ambos, aliás, estiveram em constante contato com o miliciano durante todos os momentos entre a derrota nas urnas e a fuga. Será mesmo que não sabiam de nada? Difícil de acreditar. Assim como é difícil de engolir todo o esforço de setores majoritários da imprensa em delimitar o golpismo da extrema direita à família Bolsonaro, lustrando a testa de Tarcísio com um suposto verniz democrático para as próximas eleições.  

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por sua vez, empreende uma articulação para “pacificar” o país, abrangendo aí um grande acordão para uma ampla anistia para os golpistas, em troca de pôr panos quentes nas mutretas do escândalo Master. Um grande acordão, com o Supremo e com tudo, Tenta-se, de todas as formas, conduzir o país à velha normalidade institucional, apagando os crimes do bolsonarismo e a corrupção generalizada, para resetar o game.

A realidade, aqui e lá fora, porém, já comprovou que o autoritarismo é parte intrínseca ao fenômeno da extrema direita. Fruto da deterioração das instituições do regime democrático-burguês, da crise capitalista e da adaptação de uma esquerda que insiste num projeto falido de colaboração de classes e de fiadores fieis desse regime putrefato.

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