Rebeldia lança manifesto "Enterrar o velho mundo", da juventude com a esquerda revolucionária

Rebeldia - Juventude da Revolução Socialista
Rebeldia lança manifesto "Enterrar o velho mundo", da juventude com a esquerda revolucionária

No dia 30 de agosto, em uma plenária nacional virtual, nós, do Rebeldia, lançamos o manifesto “Enterrar o velho mundo”, da juventude com a esquerda revolucionária, em apoio à candidatura de Hertz Dias e Vanessa Portugal do PSTU 16 à presidência da República e apresentando as candidaturas do Rebeldia nessas eleições, pelo país: Mandi Coelho, em São Paulo, Ícaro Madalena, no Rio Grande do Sul, Alexandre Solórzano, no Amazonas, Iago Igui da Bancada Hip Hop e Kimberlly Serejo do Coletivo das Pretas, no Maranhão, a deputados federais. A deputados estaduais, Lorran Neves, no Rio de Janeiro, Airton Moraes e Maria Eduarda, no Pará, Bia Brehm, no Paraná, e Caio Marx, em Pernambuco.

O manifesto é uma resposta do nosso coletivo ao período eleitoral, expondo as razões que acreditamos justificar o apoio da juventude trabalhadora e oprimida às candidaturas da esquerda revolucionária, que identificamos com as candidaturas do PSTU, que apontam para a construção de uma alternativa de classe, socialista, frente às variantes burguesas em disputa.

Mas, vai além, dando um pontapé inicial na elaboração de um programa revolucionário para a juventude brasileira, apoiando-se nos avanços programáticos realizados pelo PSTU no último período, que culminaram na elaboração de um projeto de programa para a revolução socialista brasileira, recentemente editado e publicado pela editora Sundermann. Não é, portanto, um texto acabado. É um texto para ser discutido e aprimorado pelo debate coletivo com o ativismo jovem e estudantil de todo o país.

O manifesto arranca do principal processo político da atual conjuntura, as eleições burguesas, para apontar a necessidade da construção de uma alternativa dos trabalhadores, contra o sistema capitalista. Desmascara o caráter antidemocrático do processo eleitoral, controlado pelo poder econômico, na medida em que privilegia as candidaturas dos ricos e do sistema, que são amplamente beneficiadas pelas regras eleitorais proscritivas aos partidos ideológicos e comprometidos com a classe operária. Estes últimos, não têm espaço na grande mídia nem são chamados para os debates. A campanha #QueremosAEsquerdaNosDebates, com a qual nós do Rebeldia estamos envolvidos, chamou a atenção para este fato, apontando um caminho para a unidade da esquerda que reivindica o socialismo em torno de um objetivo concreto.

Dentre os diferentes projetos burgueses em disputa, nessas eleições, em meio à polarização, destacam-se a extrema direita bolsonarista e a frente ampla de conciliação de classes. Não se tratam de projetos iguais, como deixamos bem nítido no manifesto. A extrema direita, com Flávio Bolsonaro sendo seu representante, defende um projeto autoritário, de instauração de uma ditadura no país, como ficou demonstrado na tentativa de golpe do 8 de janeiro de 2023. Embora se diga antissistema, é capacha e lambe-botas do principal representante do sistema imperialista mundial, Donald Trump, defendendo abertamente a submissão do nosso país aos EUA, com a cessão de nossas riquezas naturais, como as terras raras, e a abertura total aos monopólios norte-americanos.

É, portanto, a face mais perversa do sistema capitalista e a expressão de uma burguesia submissa ao imperialismo e de um país que passa por um processo de decadência na divisão internacional do trabalho, ocupando cada vez mais o lugar de exportador de matérias-primas e importador de tecnologia de ponta, de modo que setores crescentes da burguesia dita “nacional”, contente com o lugar de sócia menor do imperialismo, defendem abertamente cada vez mais ataques à classe trabalhadora brasileira, para ampliar seus lucros obtidos com a superexploração.

Por outro lado, a esquerda dominante, que se aglutina na chamada frente ampla, encabeçada por Lula, é fiel mantenedora do sistema, defendendo as instituições presentes do regime burguês, como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), e governando o capitalismo a serviço dos ricos e poderosos, junto com o centrão e a direita, e buscando conciliar com o imperialismo. Cumprem o papel de apassivar a classe trabalhadora e a juventude e canalizar o desespero, legítimo, com a ameaça da extrema direita, para uma saída eleitoral e de conciliação de classes, não cumprindo mais o papel de mobilização que cumpriu em períodos anteriores.

Tudo isso em meio a uma intensa crise do capitalismo, não encerrada desde 2008, e uma crise da ordem mundial, que acentua os conflitos interimperialistas (notadamente, entre EUA e China) e a possibilidade crescente de guerras, golpes e invasões das potências capitalistas em disputa pela hegemonia mundial. Estamos vendo como os EUA vem ameaçando os países latinoamericanos, afirmando sua prepotência de tratar-nos como seu quintal, sobre o qual arroga ter direitos legítimos de exploração e dominação. Sem mobilização da classe trabalhadora com independência de classe e projeto próprio de poder, ficamos desarmados diante do avanço das tendências reacionárias gestadas pela decadência desse sistema.

Esse é o cenário mais geral em que o manifesto insere-se para compreender a realidade da juventude brasileira, em particular seus setores mais explorados e oprimidos, e apontar saídas para a atender às suas necessidades mais sentidas. Concretamente, somos uma geração marcada por uma crise brutal do capitalismo que nos nega qualquer perspectiva sólida de futuro. Ao contrário, somos bombardeados com a possibilidade real de que o próprio planeta tenha suas condições de vida radicalmente transformadas, para pior, pela catástrofe ambiental e climática capitalista. Para nós, o que o sistema capitalista reserva é cada vez mais exploração, precarização do trabalho, como na escala 6x1, a informalidade da uberização, desemprego, condições degradantes de vida e aumento do adoecimento mental. Os setores mais oprimidos da juventude enfrentam um aumento estrondoso da violência, seja através das polícias que praticam o extermínio da juventude negra e periférica em nome da falsa “guerra às drogas”, seja com aumento dos feminicídios e transfeminicídios e todo tipo de violência machista e lgbtfóbica, alimentados pelo discurso de ódio conservador dos redpills, incels e assemelhados.

No âmbito da educação, a juventude estudantil é atacada pelas políticas de precarização e privatização da educação pública, em todos os níveis, por todos os governos, em diferentes graus. De um lado, temos uma extrema direita que defende, como política educacional, a veiculação de suas ideologias conservadoras e o combate ao pensamento crítico, perseguindo alunos e professores, com seu famigerado “Escola sem partido”, uma educação totalmente voltada aos interesses e necessidades do mercado, cuja maior expressão é o “Novo Ensino Médio” com seu apelo ao “empreendedorismo”, e atacando as universidades públicas, defendendo sua privatização e estrangulamento orçamentário, e os setores da juventude pobre, negra e trabalhadora que, com muita dificuldade, conseguem ultrapassar o filtro elitista do vestibular.

De outro, temos uma esquerda capitalista que, através do governo Lula, mantém um Arcabouço Fiscal neoliberal que comprime o orçamento dos setores sociais e da educação e ataca as políticas de permanência estudantil em nome do pagamento da dívida pública aos banqueiros, preserva os ataques dos governos anteriores, e defende um projeto do grande capital para a educação, por meio do avanço da mercantilização e desnacionalização do ensino, em particular o superior, transferência de recursos públicos para o setor privado, terceirização e presença de um bilionário como Jorge Paulo Lemann no MEC.

Queremos deter a barbárie capitalista, defender nossas condições de vida, trabalho e estudo e arrancar o direito ao futuro, mas, para isso, sabemos que precisamos de auto-organização, aliança com a classe operária, consciência socialista e um programa de ruptura revolucionária com essa sociedade decadente que nos explora e oprime cada vez mais. Somos partidários do chamado à juventude para superar toda forma de resignação e confiar apenas em suas próprias forças e da classe trabalhadora, apostando na mobilização direta e não em soluções conciliadas e através dos gabinetes de reitorias, governos e parlamentos.

Nesse caminho, defendemos a necessidade de nos enfrentarmos com a extrema direita, esmagando ela com luta de classes, mas também construir uma alternativa à esquerda da ordem, que pratica a conciliação de classes, e que, portanto, não é alternativa a esse sistema, mas defende-o. Esquerda essa que, por governar o capitalismo em decadência, sequer consegue estancar o crescimento da extrema direita.

Somos a juventude que se coloca pela construção de uma alternativa de esquerda revolucionária, comunista, superando a conciliação de classes do PT e PSOL, que resultou apenas em retrocesso na consciência e conservadorismo na esquerda. Que não tem ilusões nesse sistema e regime dos ricos, defendendo abertamente a sua superação por meio de uma revolução socialista que funde um novo mundo, livre, humano e igualitário. É a serviço desse programa que lutamos e te chamamos a ler o manifesto na íntegra e construir conosco o Rebeldia!

Leia o manifesto completo aqui

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