Nesta quinta-feira (10), os bancários e bancárias da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil deram uma demonstração de força e disposição de luta. A categoria cruzou os braços em resposta às propostas rebaixadas dos bancos e da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), exigindo respeito, melhores condições de trabalho e a garantia de seus direitos específicos.
Algumas bases já haviam entrado em greve na terça (8) e quarta (9), mas nesta quinta-feira (10) a paralisação está unificada com todos que aprovaram esta mobilização
Essa alta adesão reflete a insatisfação com o cenário vivenciado nas agências. Como denúncia o ativista bancário Laércio Pereira, "A Caixa está adoecendo os bancários e ao mesmo tempo atacando os nossos direitos."
Greve forte na Caixa
Na Caixa Econômica Federal, a greve é nacional, por tempo indeterminado e sem necessidade de novas assembleias para sua manutenção. A rejeição à proposta da direção do banco ultrapassou 90% nas bases sindicais. Uma rodada de negociação realizada nesta quinta-feira (10) terminou sem avanços concretos.
Segundo o dirigente da Executiva Estadual SP da CSP-Conlutas Wilson Ribeiro, bancário aposentado da Caixa e ativista da categoria, o movimento está forte e segue firme. "A greve da Caixa continua automaticamente, não há nem assembleia para decidir nada. Com certeza, vamos estar em greve até segunda-feira. Tivemos uma chamada reunião de negociação que não deu em nada. Então, a paralisação continua e segue forte."
Entre as principais pautas da base estão o combate rigoroso às metas abusivas, a aplicação da NR-1 para saúde e segurança no trabalho, e a defesa do Saúde Caixa, que vem sofrendo com o sucateamento e o aumento absurdo das taxas cobradas dos trabalhadores.
Luta ganha força e pressiona direções no BB
No Banco do Brasil, a paralisação vem se construindo diante da intransigência da direção do banco. Vinte sindicatos já haviam aprovado a greve, paralisando bases estratégicas em locais como Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis.
Os que rejeitaram a proposta inicial do banco, mas haviam optado por reabrir as negociações antes de decretar a paralisação, realizam assembleias para definir o rumo do movimento. Como a direção do BB insistiu em manter a mesma proposta rebaixada na mesa, a tendência é de fortalecimento da greve nessas praças.
Reforçando a necessidade de ampliar a resistência e rejeitar os retrocessos propostos pela patronal, o dirigente da Executiva Nacional da CSP-Conlutas Marcos Tinoco, diretor do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte (SEEB-RN), destaca a postura da base: "Os bancários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica continuam firmes na luta contra essa proposta indecente apresentada pela Fenaban e pelos bancos públicos. Não aceitaremos nenhum passo atrás nos nossos direitos."
Organizar a luta pela base
Apesar da assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) geral entre a Fenaban e burocracias sindicais, que prevê reajuste do INPC com aumento real irrisório de 0,6% em 2026 e 2027, a base deixou claro que não aceitará o ritmo insustentável de exploração e as metas sufocantes impostas pelos bancos.
A CSP-Conlutas reafirma seu apoio integral à mobilização e chama todos os trabalhadores a fortalecerem os piquetes e a organização independente da categoria bancária.