Internacional

Trabalhadores da JBS deflagram greve nos EUA. Todo apoio e solidariedade internacional!

CSP Conlutas, Central Sindical e Popular

17 de março de 2026
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Cerca de 3.800 trabalhadores da subsidiária da JBS, nos Estados Unidos, iniciaram, nesta segunda-feira (16), uma greve histórica na unidade da Swift Beef Co., em Greeley, no estado do Colorado

Cerca de 3.800 trabalhadores da subsidiária da JBS, nos Estados Unidos, iniciaram, nesta segunda-feira (16), uma greve histórica na unidade da Swift Beef Co., em Greeley, no estado do Colorado. A paralisação marca a primeira greve em um abatedouro de carne bovina no país desde a década de 1980.

A decisão foi tomada após meses de negociações sem avanço e denúncias de práticas antissindicais e ataques trabalhistas por parte da empresa. Segundo o sindicato local, o UFCW-7 (United Food and Commercial Workers Local 7), a direção da JBS se recusou a avançar em pontos centrais, ao mesmo tempo em que intensificou a pressão sobre os trabalhadores, com intimidações, reuniões individuais para desfiliação sindical e ameaças de retirada de benefícios caso a greve fosse deflagrada.

A greve foi aprovada de forma massiva: 99% dos trabalhadores votaram pela paralisação, rejeitando a proposta patronal.

Entre as principais reivindicações estão reajuste salarial, melhores condições de segurança e controle sobre os altos gastos com saúde. A proposta da empresa prevê aumentos inferiores a 2% ao ano, índice que não acompanha a inflação, enquanto trabalhadores relatam que chegam a gastar mais de US$ 1.100 anuais com equipamentos de proteção que deveriam ser custeados pela própria empresa. Em alguns casos, quase todo o reajuste salarial é consumido pelo aumento dos planos de saúde, segundo informa o sindicato.

O UFCW-7 denuncia ainda que a empresa tentou impor cobranças abusivas por equipamentos de segurança, inclusive exigindo que trabalhadores paguem por itens perdidos ou desgastados, além de realizar mudanças unilaterais nas condições de trabalho. A entidade denuncia ainda retaliações contra dirigentes sindicais, recusa em fornecer informações durante as negociações e punições a trabalhadores que apresentaram queixas formais.

Ainda de acordo com o sindicato, a postura da JBS contrasta com sua capacidade financeira. Recentemente, a empresa desembolsou cerca de US$ 55 milhões para encerrar acusações de práticas ilegais no setor de carne bovina, relacionadas à manipulação de preços e à manutenção artificial de salários baixos. O sindicato destaca que a diferença entre a proposta salarial dos trabalhadores e a da empresa representa um custo pequeno frente aos lucros da companhia.

No Brasil, JBS também é alvo de diversas denúncias

A luta dos trabalhadores nos Estados Unidos reflete realidade semelhante vivenciada pelos trabalhadores da JBS no Brasil, onde a empresa também é alvo de denúncias por impor ritmos exaustivos de produção, práticas de assédio moral, subnotificação de acidentes e doenças ocupacionais, além de manter baixos salários nos frigoríficos. Um cenário que revela um padrão global de atuação baseado na busca de lucros à custa da superexploração e precarização das condições de trabalho.

Portanto, a paralisação dos trabalhadores norte-americanos se insere em uma luta mais ampla da classe trabalhadora contra a exploração e a ganância capitalista.

A CSP-Conlutas reafirma todo apoio à greve dos trabalhadores da JBS em Greeley e faz um chamado à solidariedade internacional para denunciar a postura arbitrária e ilegal da empresa e fortalecer a luta operária.

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